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Bélgica quer reunir com países mais afetados por acordo falhado do Brexit

Bélgica quer reunir com países mais afetados por acordo falhado do Brexit

O primeiro-ministro belga, Charles Michel, convidou os líderes dos Estados-membros que seriam "os mais diretamente afetados" por uma saída desordenada do Reino Unido da União Europeia (UE) para uma reunião antes da cimeira europeia de quarta-feira.

A 'mini-cimeira', que antecederá o Conselho Europeu extraordinário de quarta-feira, foi confirmada hoje à agência France-Presse pelo porta-voz do Governo belga que, contudo, não especificou o número exato de participantes na reunião.

O diário belga "Le Soir", citando fontes governamentais, revela que os países convidados pela Bélgica para esta "reunião de coordenação" são a Suécia, a Dinamarca, a Holanda, a França e a Irlanda, ou seja, os países geograficamente mais próximos do Reino Unido e os que têm relações comerciais mais intensas com aquele país.

De fora da reunião, de acordo com o mesmo jornal, ficarão a chanceler alemã, Angela Merkel, que tem prevista uma intervenção no parlamento alemão antes do início do Conselho Europeu, agendado para as 18 horas em Bruxelas (17 horas em Portugal continental), e a Espanha, que tinha manifestado interesse em participar devido ao impacto de um 'Brexit' sem acordo em Gibraltar. Portugal não é mencionado.

O primeiro-ministro belga pretende evitar uma excessiva atenção mediática em torno da reunião, pelo que, segundo o Le Soir, vai preterir o palácio de Egmont, local habitual das receções antes das cimeiras europeias, e deslocar a 'mini-cimeira' para um edifício próximo à sede do Conselho Europeu.

Os chefes de Estado e de Governo dos 27 vão analisar na quarta-feira, a dois dias da nova data do 'Brexit', o segundo pedido de prorrogação do Artigo 50.º do Tratado de Lisboa, aquele que estabelece um período de dois anos para as negociações de saída de um Estado-membro, até 30 de junho.

A data, já 'vetada' pelos chefes de Estado e de Governo em 21 de março, volta a estar em cima da mesa, depois de a primeira-ministra britânica ter abandonado a sua "teimosia" e ter concordado com a realização de eleições europeias naquele país, embora com a pretensão de poder aprovar a lei para o 'Brexit' a tempo de cancelar o escrutínio.

Na carta que escreveu a Donald Tusk na sexta-feira, para formalizar o pedido de extensão do Artigo 50.º até 30 de junho, Theresa May referiu não ser nem do interesse do Reino Unido nem da UE que o país participe nas eleições para o Parlamento Europeu, mas disse aceitar "a opinião do Conselho Europeu de que se o Reino Unido continuar a ser membro da União Europeia a 23 de maio, teria a obrigação legal de realizar eleições".

A primeira-ministra britânica foi hoje recebida em Berlim pela chanceler alemã, Angela Merkel, na procura de apoio de líderes europeus para uma extensão do 'Brexit', e saiu sem fazer comentários.

Theresa May desloca-se ainda hoje a Paris, onde se encontrará com o Presidente francês, Emmanuel Macron, em mais uma reunião que servirá para tentar sensibilizar os líderes europeus a aprovar um novo adiamento do 'Brexit', inicialmente programado para 29 de março.

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