EUA

Biden não confia em Trump e impede acesso a informações classificadas

Biden não confia em Trump e impede acesso a informações classificadas

O ex-presidente norte-americano Donald Trump não terá acesso à produção dos serviços de informações ("intelligence") dos Estados Unidos, defendeu sexta-feira o seu sucessor, Joe Biden.

Um mês depois do assalto ao Capitólio por apoiantes de Trump, que levou legisladores democratas e membros da comunidade de "intelligence" a defender que lhe seja negada a prerrogativa dos ex-presidentes receberem ´briefings´ regulares dos serviços de informações, Biden também se mostrou hoje contra, numa entrevista à CBS.

"Só acho que não há necessidade de ele ter os briefings dos serviços de informações (...) qual é o valor de lhe dar um briefing de intelligence?", questionou.

"Que impacto é que isso pode ter, de todo, para além do facto de ele poder ter um lapso e cometer uma inconfidência?", adiantou o novo presidente norte-americano, a quem compete a decisão de conferir a prerrogativa, ou não.

Oficialmente, a Casa Branca tem afirmado que a questão dos briefings de Trump está a ser revista, mas têm vindo a acumular-se apelos para que seja aberta uma exceção à prerrogativa presidencial neste caso, numa altura em que se prepara o julgamento no Senado do pedido de impugnação do ex-presidente.

Até uma ex-diretora adjunta dos serviços de informações durante o mandato de Trump, Susan Gordon, assinou no mês passado um artigo de opinião no Washington Post argumentando que não é seguro o ex-presidente ter acesso a "intelligence".

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"O seu perfil de segurança pós-Casa Branca (...) é inquietante. Qualquer ex-presidente é, por definição, um alvo e apresenta alguns riscos. Mas o ex-presidente Trump, mesmo antes dos acontecimentos da semana passada (invasão do Capitólio) pode ser excecionalmente vulnerável a atores negativos com más intenções", escreveu Gordon.

"Trump está significativamente envolvido em negócios que envolvem entidades estrangeiras (...) e muitas destas relações empresariais atuais são em partes do mundo vulneráveis aos serviços de informações de outros Estados", adiantou Gordon.

Em oposição aos briefings ao ex-presidente saiu também recentemente, e de forma veemente, o congressista democrata Adam Schiff, presidente do Comité de Informações do Senado.

"Não há circunstância alguma em que este presidente deva ter outro briefing de intelligence (...). Não acho que seja confiável, agora ou no futuro", disse Schiff.</p>

No julgamento do caso de destituição, que começa no Senado em 09 de fevereiro, Trump é acusado de incitar uma multidão de apoiantes, que atacaram o Capitólio, incidente de que resultaram 5 vítimas mortais.

Os democratas da Câmara dos Representantes querem que Donald Trump deponha sob juramento, no processo de destituição, mas os advogados do ex-presidente recusaram hoje essa possibilidade, que consideraram "um golpe de publicidade".

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