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Bielorrússia "não impedirá" migrantes de entrarem na União Europeia

Bielorrússia "não impedirá" migrantes de entrarem na União Europeia

O Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, afirmou, esta quarta-feira, que a Bielorrússia não tentará conter o fluxo de migrantes ilegais para a União Europeia, depois de os 27 terem aumentado as sanções impostas ao país.

A UE e os EUA decretaram duras sanções contra a Bielorrússia depois de o país ter desviado um avião comercial, no mês passado, para deter um jornalista dissidente.

Na noite de terça-feira, Lukashenko condenou as sanções, descrevendo-as como uma "guerra híbrida" travada pelo Ocidente contra a Bielorrússia, e advertiu os vizinhos Estados-membros da UE - Letónia, Lituânia e Polónia - de que não devem esperar que as autoridades bielorrussas impeçam os migrantes ilegais de atravessarem a fronteira.

"Eles lamuriam-se: 'Ah, os bielorrussos não estão a proteger-nos: milhares de imigrantes ilegais estão a afluir à Lituânia, à Letónia e à Polónia", declarou, na cidade de Brest, na fronteira com a Polónia. "Eles exigem que os protejamos do contrabando e das drogas. E eu só pergunto, vocês estão malucos? Desencadearam uma guerra híbrida contra nós e agora querem que vos protejamos como fazíamos antes?".

No início de junho, as autoridades lituanas acusaram a Bielorrússia de abrir as portas para deixar os migrantes atravessarem a sua fronteira partilhada de 680 quilómetros.

A Bielorrússia tem sido abalada por meses de protestos intensificados pela reeleição de Lukashenko para um sexto mandato, nas eleições de agosto de 2020, de forma generalizada consideradas fraudulentas.

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As autoridades bielorrussas responderam às manifestações com repressão, que resultou em mais de 35 mil pessoas detidas e milhares espancados pela polícia.

A 23 de maio, os controladores de tráfego aéreo bielorrussos deram instruções a um voo da companhia Ryanair que fazia a ligação entre a Grécia e a Lituânia para aterrar em Minsk, onde as autoridades detiveram Raman Protasevich, um jornalista da oposição, de 26 anos, que seguia a bordo.

Indignados, os líderes da UE reagiram banindo a transportadora aérea bielorrussa do espaço aéreo e dos aeroportos europeus e dando instruções às companhias aéreas europeias para evitarem sobrevoar o espaço aéreo do país.

Advertiram também de que haverá mais sanções, visando os principais setores de exportação da economia bielorrussa.

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