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Bielorrússia reage às expulsões pela Lituânia e aperta controlo fronteiriço

Bielorrússia reage às expulsões pela Lituânia e aperta controlo fronteiriço

O Presidente da Bielorrússia ordenou, esta quinta-feira, que as forças de segurança apertem o controlo na fronteira com a "vizinha" Lituânia, numa altura em que o Governo de Vilnius começou a recusar os migrantes procedentes do território bielorrusso.

Nos últimos meses, a Lituânia, Estado-membro da União Europeia (UE) e da NATO, tem testemunhado um intenso fluxo de migrantes procedentes da Bielorrússia, a maioria deles oriundos do Iraque.

O executivo lituano considera este fluxo migratório junto da sua fronteira um ato de retaliação por parte do contestado Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, face às sanções impostas pelo bloco comunitário ao regime de Minsk, nomeadamente por causa do desvio de um avião civil, em maio passado, e da detenção de um opositor que estava a bordo desse aparelho.

Na terça-feira, o Governo da Lituânia deu ordens à guarda fronteiriça para recusar e expulsar, com recurso à força caso necessário, todos os migrantes procedentes da Bielorrússia que tentem entrar de forma irregular no território lituano. Nesse mesmo dia, as autoridades lituanas recusaram e expulsaram do seu território 180 pessoas.

Também nesse dia, o Ministério do Interior lituano divulgou imagens filmadas a partir de um helicóptero que mostram, segundo assegurou o executivo de Vilnius, grandes grupos de migrantes a serem escoltados até à fronteira da Lituânia por veículos da guarda fronteiriça bielorrussa.

Em resposta, Alexander Lukashenko ordenou, esta quinta-feira, às agências de defesa e segurança bielorrussas que "fechem cada metro da fronteira", de forma a não permitir que os migrantes possam voltar a entrar em solo bielorrusso.

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"A partir de hoje, nenhuma pessoa deve pisar no território da Bielorrússia a partir do lado adjacente, seja do sul ou do oeste", afirmou Lukashenko, durante uma reunião com responsáveis da área da defesa e da segurança.

Na mesma intervenção, o líder bielorrusso criticou a Lituânia por estar a expulsar pessoas que o próprio país "convidou através de pontos de passagem fronteiriços oficiais".

Esta semana, as autoridades bielorrussas denunciaram que os migrantes que estão a ser expulsos à força pela Lituânia apresentam ferimentos, nomeadamente mordidas de cão, e que alguns foram hospitalizados. A Bielorrússia também informou, na quarta-feira, que uma pessoa "não eslava" morreu na sequência de ferimentos sofridos numa cidade fronteiriça.

A Lituânia contrapôs e classificou estas informações como "propaganda" de um regime hostil. "É uma provocação óbvia. A Lituânia está sob um ataque híbrido e a divulgação de tal informação é um exemplo clássico deste processo", afirmou o ministro da Defesa lituano, Arvydas Anusauskas.

Esta situação está a agravar as relações já tensas entre os dois países "vizinhos", mas também o ambiente sentido entre Minsk e o Ocidente. As relações entre Vilnius e Minsk estão tensas desde as eleições de 9 de agosto de 2020 na Bielorrússia, que reconduziram Lukashenko, no poder há quase três décadas, para um sexto mandato.

O escrutínio foi considerado fraudulento pela oposição bielorrussa e pelo Ocidente. Desde então, a Lituânia tem apoiado e concedido refúgio a figuras do movimento opositor bielorrusso, incluindo à líder da oposição, Svetlana Tikhanovskaia.

A Lituânia, país com pouco menos de três milhões de habitantes, partilha uma fronteira com a Bielorrússia de quase 680 quilómetros. Cerca de 4090 migrantes atravessaram este ano a fronteira entre a Bielorrússia e a Lituânia, segundo dados citados pelas agências internacionais. As autoridades da Lituânia anteveem que mais de 10 mil migrantes poderão tentar chegar ao país báltico ao longo deste ano.

Na segunda-feira, as autoridades da UE prometeram milhões de euros para ajudar a Lituânia a enfrentar a atual crise migratória. Os meios de comunicação polacos relataram, entretanto, que alguns migrantes procedentes do território bielorrusso também tentaram entrar na Polónia, outro Estado-membro da UE e da NATO, mas em menor número.

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