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117.º dia de guerra

Bloqueio de cereais é "crime de guerra" e domínio russo cresce em Severodonetsk

Bloqueio de cereais é "crime de guerra" e domínio russo cresce em Severodonetsk

Zelensky falou hoje "numa semana verdadeiramente histórica". Enquanto a Ucrânia aguarda com ansiedade e expectativa a resposta da UE sobre o estatuto do país como candidato, a Rússia é acusada de mais "um verdadeiro crime de guerra" por impedir a exportação de cereais do país e continuar a destruir armazéns de alimentos. Com Severodonetsk cada vez mais perto do domínio russo, as autoridades ucranianas temem a intensificação dos combates no leste do país. Eis os principais pontos-chave do 117.º dia de invasão.

- O Alto Representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança, Josep Borrell, considerou hoje que o bloqueio da Rússia à exportação de milhões de toneladas de grãos ucranianos é "um verdadeiro crime de guerra". "Pedimos à Rússia que desbloqueie os portos. É inconcebível, não se pode imaginar que milhões de toneladas de trigo permaneçam bloqueadas na Ucrânia enquanto, no resto do mundo, as pessoas passam fome", disse o chefe da diplomacia europeia, à chegada a uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, no Luxemburgo. Segundo as autoridades ucranianas, um armazém de comida na cidade portuária de Odessa, no sul, foi hoje destruído por 14 mísseis russos.

- Zelensky admitiu temer que "a Rússia intensifique os ataques esta semana" contra a Ucrânia e possivelmente outros países europeus, numa altura em que se discute a candidatura de Kiev à adesão à União Europeia, "numa semana verdadeiramente histórica". A Comissão Europeia deu, na sexta-feira passada, um parecer favorável ao pedido de candidatura apresentado por Kiev e recomendou que os Estados-membros confirmassem o estatuto de país candidato na reunião do Conselho Europeu desta semana.

- A Ucrânia confirmou hoje que perdeu o controlo de Metolkine, horas depois de a Rússia ter reivindicado a captura daquela aldeia dos arredores de Severodonetsk, na região de Lugansk (leste). As tropas russas têm vindo a avançar lentamente na região do Donbass, onde concentraram os seus esforços militares após terem sido expulsas de áreas em redor de Kiev. "O exército russo dedicou praticamente todas as suas forças e meios para atacar as aldeias em redor de Severodonetsk. Querem destruir as nossas tropas e estão a tentar cercar o nosso exército", disse a vice-ministra da defesa ucraniana, Hanna Maliar, citada pelo "The Guardian".

- Segundo o presidente da Câmara de Mariupol, Vadym Boychenko, os russos só fornecem água potável aos residentes uma vez por semana e as pessoas ficam em filas de espera de cerca de 4 a 8 horas para conseguirem água. Ainda de acordo com Boychenko, não há gás, nem electricidade e o acesso a alimentos também é limitado. O sistema de esgotos não está a funcionar.

- A Rússia formalizou hoje um protesto pelo bloqueio parcial da Lituânia ao trânsito de mercadorias para o enclave russo de Kaliningrado e exigiu à representante diplomática de Vilnius em Moscovo o levantamento imediato da medida. A Lituânia está a aplicar sanções europeias sobre o trânsito de certos produtos entre a Rússia e Kaliningrado, mas não impõe qualquer bloqueio ao enclave russo, asseguraram hoje o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, e o Governo lituano.

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- Volodymyr Zelensky considerou hoje que África "está refém" da invasão russa da Ucrânia e isso provoca fortes tensões no mercado de cereais para exportação para o continente. "África é refém daqueles que começaram a guerra contra o nosso Estado", disse Zelensky, num discurso por videoconferência dirigido aos membros da União Africana. O líder ucraniano acrescentou que a crise alimentar mundial "durará tanto quanto a guerra" provocada pela invasão russa.

- O Conselho da União Europeia (UE) decidiu hoje estender por mais um ano, até junho de 2023, as sanções à Rússia pela anexação ilegal da Crimeia e da cidade de Sevastopol, territórios reconhecidos como pertencentes à Ucrânia. Em comunicado, a estrutura que junta os Estados-membros da UE indica que "o Conselho decidiu hoje renovar as sanções introduzidas pela UE em resposta à anexação ilegal da Crimeia e da cidade de Sevastopol pela Federação Russa, até 23 de junho de 2023".

- As autoridades russas acusaram as forças ucranianas de atacar plataformas de perfuração de petróleo no mar, na península da Crimeia, anexada por Moscovo em 2014. "Esta manhã, o inimigo atacou as plataformas de perfuração de Chernomorneftegaz (...) estamos a trabalhar para salvar pessoas", anunciou no Telegram Sergei Aksyonov, o governador designado por Moscovo para a Crimeia.

Portugal atribuiu 43 483 proteções temporárias a cidadãos ucranianos e estrangeiros que fugiram da guerra na Ucrânia, anunciou o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

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