Aviação

Boeing precisa de mais tempo para corrigir sistema dos aviões 737 MAX

Boeing precisa de mais tempo para corrigir sistema dos aviões 737 MAX

A Boeing e o organismo que regula a aviação nos EUA dizem que a empresa precisa de mais tempo para corrigir o sistema de controlo de voo que se suspeita ser responsável por dois acidentes que mataram 346 pessoas, ao todo.

A Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) anunciou na segunda-feira que prevê as melhorias finais no software da Boeing para os aviões 737 Max "nas próximas semanas".

A Boeing deveria ter concluído essa tarefa na semana passada, mas o porta-voz da FAA, Greg Martin, esclareceu que a empresa precisa de mais tempo para se certificar de que identificou e respondeu a todos os problemas.

A norte-americana Boeing, sediada em Chicago, ofereceu o mesmo cronograma de tempo para convencer os reguladores de que pode corrigir o software.

"A segurança é nossa primeira prioridade, e vamos adotar uma abordagem metódica e completa para o desenvolvimento e teste da atualização", disse o porta-voz da Boeing, Charles Bickers.

A Boeing precisa de aprovação não apenas da FAA, mas também da Europa e China, onde as autoridades de segurança que regulam a aviação já indicaram que vão conduzir os seus próprios testes.

Acidentes fatais puseram aviões no hangar

Os aviões da companhia norte-americana deixaram de voar um pouco por todo o mundo desde meados de março.

A informação da FAA sugere que as companhias aéreas podem ser forçadas a deixar em terra os seus aviões 737 Max por mais tempo do que esperavam. As companhias que possuem jatos Max estão a recorrer a outros aviões para preencher alguns voos que deveriam ser garantidos por aquelas aeronaves, enquanto cancelam outros.

"Estamos cientes de que o regresso ao serviço da nossa aeronave 737 Max pode ser adiada, e a nossa equipa trabalhará com todos os clientes afetados por cancelamentos", disse Ross Feinstein, porta-voz da American Airlines.

Aguardam relatório da Etiópia

Entretanto, o regulador da aviação dos EUA e a Boeing aguardam por um relatório preliminar de investigadores etíopes sobre o acidente de 10 de março de um avião MAX 8 da Ethiopian Airlines, que se despenhou logo após a descolagem.

A expectativa é que o relatório consiga determinar se existem semelhanças entre o que aconteceu naquele voo e o acidente de 29 de outubro com o Boeing 737 MAX 8 da Lion Air, no Mar de Java, ao largo da Indonésia. Os dois acidentes mataram 346 pessoas.

Dados do avião indonésio indicam que os pilotos lutaram sem sucesso contra o sistema automatizado de controlo do avião, que caiu no mar logo após a descolagem. De acordo com relatórios publicados, o mesmo sistema foi ativado no voo da Ethiopian Airlines.

A Boeing está a proceder a alterações no sistema automatizado que serve para evitar que o nariz do avião suba. As mudanças incluem contar com leituras de mais de um sensor antes que o sistema seja ativado e empurre o nariz para baixo, tornando as ações do sistema mais fáceis de gerir pelos pilotos.

Enquanto isso, o Congresso norte-americano está a averiguar a relação entre a Boeing e a FAA. A Comissão de Transportes e Infraestruturas da Câmara dos Representantes disse na segunda-feira que solicitou registos da comunicação entre a Boeing e a FAA relacionados com a certificação do 737 Max.