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Covid-19

Bolsonaro diz não ter culpa de "absolutamente nada" na pandemia

Bolsonaro diz não ter culpa de "absolutamente nada" na pandemia

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, garantiu esta quarta-feira que ele e o seu Governo não têm culpa de "absolutamente nada" em relação ao agravamento da pandemia no país, que já matou mais de 603 855 mil brasileiros e infetou outros 21,6 milhões.

"Sabemos que não temos culpa de absolutamente nada. Sabemos que fizemos a coisa certa desde o primeiro momento", disse Bolsonaro, numa cerimónia de melhoria na infraestrutura de saneamento no município de Russas, localizado na região nordeste do Brasil.

Bolsonaro, que nega a gravidade da pandemia de covid-19, fez essas declarações no dia em que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga ações e omissões do Governo brasileira na gestão da crise sanitária, e funciona no Senado brasileiro, apresenta o seu relatório final, após seis meses de investigações.

"Como seria bom se aquela CPI fizesse algo produtivo para o nosso Brasil. Roubaram o tempo do nosso ministro da Saúde, de funcionários, de gente humilde e empresários, mas não produziram nada, só ódio e ressentimento", afirmou Bolsonaro, cujo indiciamento por vários crimes, incluindo propagação de epidemia, é proposto no documento, que está a ser lido no Senado pelo relator, senador Renan Calheiros.

Essa comissão planeia acusar Bolsonaro e dezenas de autoridades de vários crimes contra a saúde pela gestão errática da pandemia.

O Presidente, que nega a gravidade do novo coronavírus, voltou esta quarta-feira a defender medicamentos ineficazes contra a covid-19, como a cloroquina, e a atacar a política "nefasta, injusta e criminosa" de "ficar em casa", referindo-se às mediadas de distanciamento social aplicadas por governadores e prefeitos no Brasil.

Da mesma forma, o dirigente brasileiro criticou a obrigatoriedade da vacina contra a covid-19, que ele próprio já anunciou que não vai tomar porque foi infetado pelo vírus em 2020, e dos certificados de vacinação que vários países estão a pedir e que dezenas de cidades brasileiras já adotaram.

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"A liberdade é um bem sagrado maior do que nossa própria vida", sentenciou Bolsonaro.

O relatório da CPI sobre a gestão da pandemia no Brasil, que já provocou mais de 600 mil mortos no país, foi divulgado pelos media e está a ser lido pelo relator Renan Calheiros. O documento será votado na próxima semana e ainda poderá sofrer modificações.

"Ao final de seis meses de intenso trabalho, esta CPI da pandemia reuniu evidências que mostram que o Governo Federal (...) tem agido lentamente no combate à pandemia do coronavírus, colocando deliberadamente a população em risco de uma verdadeira infeção em massa", frisa-se no documento.

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