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Bolsonaro diz que não serão "mentiras" a tirá-lo do poder

Bolsonaro diz que não serão "mentiras" a tirá-lo do poder

O Presidente brasileiro afirmou, esta quarta-feira, que "mentiras" não irão derrubá-lo do poder e classificou de "bandidos" senadores que investigam falhas na gestão da pandemia de covid-19, num momento em que o seu Governo é atingido por denúncias de corrupção.

"Não conseguem atingir-nos. Não vai ser com mentiras ou com a CPI [comissão parlamentar de inquérito do Senado], integrada por sete bandidos, que vão nos tirar daqui", disse Jair Bolsonaro, referindo-se à ala maioritária da comissão de inquérito, durante um evento em Mato Grosso do Sul.

"Temos uma missão pela frente: conduzir o destino da nossa nação e zelar pelo bem-estar e pelo progresso do nosso povo", acrescentou, citado pela imprensa local, sem mencionar diretamente os escândalos de alegadas irregularidades na compra de vacinas contra a covid-19 que abalam o seu executivo.

No seu rápido discurso, Bolsonaro exaltou ainda as Forças Armadas: "Só tenho paz e tranquilidade porque sei que, além do povo, tenho as Forças Armadas comprometidas com a democracia e a nossa liberdade. Pode ter certeza de que temos uma missão pela frente e vamos cumpri-la da melhor maneira possível".

As declarações de Jair Bolsonaro surgem um dia após o jornal "Folha de S. Paulo" noticiar que um representante de uma empresa vendedora de vacinas da Astrazeneca afirmou ter sido alvo de uma tentativa de suborno em troca de um contrato com o Governo brasileiro.

Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da empresa Davati Medical Supply, indicou que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, pediu um suborno de um dólar (0,84 cêntimos de euros) por cada dose da vacina.

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A denúncia culminou esta quarta-feira na exoneração de Roberto Ferreira Dias.

Além disso, na semana passada, foi revelado um outro suposto esquema de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin, em que o deputado federal Luis Miranda e o seu irmão Luis Ricardo Miranda, funcionário do Ministério da Saúde, afirmaram que alertaram Bolsonaro sobre as alegadas irregularidades no contrato da Covaxin.

Luis Ricardo Miranda revelou ter sofrido "pressões incomuns" para finalizar os trâmites de compra do imunizante, mesmo tendo identificado falhas no processo, como a divergência de nomes de empresas envolvidas na negociação e a falta de documentos, entre eles o certificado de boas práticas.

Entre outros pontos suspeitos, ficou acertado na negociação que uma empresa sediada em Singapura deveria receber parte do pagamento mesmo não estando no contrato.

O contrato, que acabou por ser suspenso na terça-feira, previa a aquisição de 20 milhões de doses a um preço total de 1,61 mil milhões de reais (cerca de 270 milhões de euros), apesar de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão regulador, ainda não ter aprovado totalmente o antídoto.

A aquisição da Covaxin foi a única realizada pelo Governo do Brasil de forma indireta, ou seja, através de uma empresa intermediária, a Precisa Medicamentos. A vacina também tem sido colocada em causa por ter sido a mais cara obtida pelo país.

O Ministério Público encontra-se a investigar o caso, mas Bolsonaro nega a existência de corrupção no seu Governo.

O Brasil, um dos países mais afetados pela pandemia, totaliza 515 985 mortes e mais de 18,5 milhões de casos positivos de covid-19.

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