Crise

Bolsonaro teme transição "não pacífica" na Venezuela

Bolsonaro teme transição "não pacífica" na Venezuela

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse estar a prestar "muita atenção" à situação política na Venezuela e admitiu que teme um processo de transição não pacífico entre o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e o autoproclamado Presidente interino Juan Guaidó.

"A História tem-nos mostrado que as ditaduras não passam o poder para a respetiva oposição pacificamente e tememos as ações do Governo, ou melhor, a ditadura de Maduro", disse Bolsonaro, em entrevista à rede Record.

Bolsonaro, que está na cidade de Davos, na Suíça, participando no Fórum Económico Mundial, reiterou que "o Brasil está incluído" no grupo de países que seguiram os passos dos Estados Unidos ao reconheceu a "legitimidade" do "novo Presidente [Juan Guaidó] que se apresentou como um líder na Venezuela."

"O Brasil acompanha com muita atenção e estamos no limite do que podemos fazer para restaurar a democracia naquele país", afirmou o Bolsonaro.

O chefe de Estado brasileiro assinalou ainda que "obviamente há fortes países" dispostos a outras iniciativas, referindo-se a declarações na véspera do Presidente norte-americano, Donald Trump, que disse que "todas as opções estão em cima da mesa" depois de ser questionado sobre a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela.

O apoio do chefe de Estado brasileiro foi comemorado por Guaidó: "Somos gratos pelo seu reconhecimento e apoio à vontade do povo venezuelano na recuperação da democracia", escreveu, na rede social Twitter.

Guaidó autoproclamou-se na quarta-feira Presidente interino da Venezuela, perante milhares de pessoas concentradas em Caracas.

"Levantemos a mão: Hoje, 23 de janeiro, na minha condição de presidente da Assembleia Nacional e perante Deus todo-poderoso e a Constituição, juro assumir as competências do executivo nacional, como Presidente Encarregado da Venezuela, para conseguir o fim da usurpação [da Presidência da República], um Governo de transição e eleições livres", declarou, num dia marcado por protestos contra Nicolás Maduro por todo o país que fizeram pelo menos sete mortos.

O engenheiro mecânico de 35 anos tornou-se rapidamente o rosto da oposição venezuelana ao assumir, a03 de janeiro, a presidência da Assembleia Nacional, única instituição à margem do regime vigente no país.

Nicolás Maduro iniciou a 10 de janeiro o seu segundo mandato de seis anos como Presidente da Venezuela, após uma vitória eleitoral cuja legitimidade não foi reconhecida nem pela oposição, nem pela maior parte da comunidade internacional.

A 15 de janeiro, numa coluna de opinião publicada no diário norte-americano The Washington Post, Juan Guaidó invocou artigos da Constituição que instam os venezuelanos a rejeitar os regimes que não respeitem os valores democráticos, declarando-se "em condições e disposto a ocupar as funções de Presidente interino com o objetivo de organizar eleições livres e justas".

Os Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e quase toda a América Latina, à exceção de México, Bolívia e Cuba, e da Rússia - que se mantêm ao lado de Maduro, que consideram ser o Presidente democraticamente eleito da Venezuela -, já reconheceram Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela.

Por seu lado, a União Europeia defendeu a legitimidade democrática do parlamento venezuelano, sublinhando que "os direitos civis, a liberdade e a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo do seu Presidente, Juan Guaidó, devem ser plenamente respeitados" e instando à "abertura imediata de um processo político que conduza a eleições livres e credíveis, em conformidade com a ordem constitucional".

Da parte do Governo português, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, expressou na quarta-feira pleno respeito pela "vontade inequívoca" mostrada pelo povo da Venezuela, disse esperar que Nicolás Maduro "compreenda que o seu tempo acabou" e apelou para a realização de "eleições livres".

A Venezuela, país onde residem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes, enfrenta uma grave crise política e económica que levou 2,3 milhões de pessoas a fugir do país desde 2015, segundo dados da ONU.

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