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Bolsonaro terá sido apanhado em vídeo a ameaçar despedir chefe da polícia

Bolsonaro terá sido apanhado em vídeo a ameaçar despedir chefe da polícia

A defesa do ex-ministro da Justiça brasileiro Sergio Moro exigiu a divulgação de um vídeo em que seria comprovado que Jair Bolsonaro tentou "interferir" política e ilegalmente na Polícia Federal, que investigava membros da sua família.

O vídeo em causa diz respeito a uma reunião de Bolsonaro com um grupo de ministros, gravado na sede da Presidência, em Brasília, e foi analisado esta semana no âmbito de uma investigação que tenta determinar se o chefe de Estado incorreu em algum crime, como Moro insinuou, após ter renunciado ao Governo por essas supostas "interferências".

O presidente do Brasil já reagiu e pede a divulgação do vídeo, que ainda não foi tornado público:

Segundo Rodrigo Sánchez Rios, advogado que representa o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, o vídeo "confirma integralmente" as suspeitas lançadas pelo ex-juiz da operação "Lava Jato" em relação a Bolsonaro, motivo pelo qual considera ser de "extrema relevância" que o seu conteúdo, até agora sob sigilo, seja divulgado.

A reunião ministerial em causa ocorreu a 22 de abril, dois dias antes da renúncia de Moro, quando denunciou "pressões inaceitáveis" por Bolsonaro em relação à Polícia Federal, um órgão autónomo subordinado ao Judiciário, embora o seu diretor seja nomeado pelo Presidente da República.

"Não vou esperar f**** alguém da minha família. Troco todo mundo da segurança. Troco o chefe, troco o ministro", terá dito Jair Bolsonaro na gravação, segundo revelaram fontes à estação de televisão "Globo".

"O Presidente disse-me, mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contacto pessoal dele [para quem] ele pudesse ligar, [de quem] ele pudesse colher informações, [com quem] ele pudesse colher relatórios de inteligência. Seja o diretor [da Polícia Federal], seja um superintendente", declarou Moro, ao anunciar a sua demissão.

Na ocasião da renúncia de Moro, o diretor da Polícia Federal, Mauricio Valeixo, foi demitido e substituído pelo comissário Alexandre Ramagem, que mantém laços de amizade com a família Bolsonaro.

Devido a essa proximidade, a nomeação de Ramagem foi anulada por um juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), tendo Bolsonaro nomeado para o cargo Ronaldo Souza, considerado um homem próximo desse comissário.

Uma das primeiras decisões de Souza como diretor da Polícia Federal foi demitir o superintendente do Rio de Janeiro, Carlos Henrique Oliveira, tendo Bolsonaro informado que passará a ocupar o cargo de vice-diretor nacional desse órgão autónomo.

Segundo Moro, três ministros participaram na reunião com Bolsonaro, que foi gravada em vídeo, e que a sua defesa pede agora que seja tornada pública.

"Tudo o que for de interesse para o inquérito, apoio que seja retirado o sigilo. Em nenhum momento do vídeo eu falo em Polícia Federal, em superintendente", indicou o líder brasileiro.

"Espero que as questões de segurança e soberania nacional não se tornem públicas porque isso prejudicaria muito a economia nacional", acrescentou.

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