"Partygate"

Boris Jonhson faz "mea culpa" mas afasta demissão

Boris Jonhson faz "mea culpa" mas afasta demissão

Primeiro-ministro recusou hoje demitir-se devido à sua participação em ajuntamentos, garantindo que está disponível para corrigir os erros apontados no relatório que apresenta as conclusões da investigação ao "partygate".

Boris Johnson pediu desculpa aos britânicos depois de hoje ter sido divulgado o relatório da investigação às festas em Downing Street. O primeiro-ministro, que se justificou na Câmara dos Comuns, garante que não se vai demitir, mesmo depois do documento dar conta de "graves falhas de liderança".

Num discurso em que assumiu os erros do seu "staff", Boris garantiu que agora a prioridade é aprender com o que correu menos bem, frisando que o Governo que encabeça é de confiança. Entre as medidas para fortalecer o funcionamento do número 10, o líder britânico anunciou que irá rever os códigos de conduta de funcionários públicos e conselheiros, acrescentando que vai criar um Gabinete do Primeiro-Ministro, com um secretário permanente.

Sem apontar o dedo diretamente a Boris, Sue Gray, a funcionária pública responsável pela investigação sobre às 16 festas realizadas durante o período de confinamento, referiu que os encontros entre funcionários do Governo não "deveriam ter sido permitidos" numa altura em que todo o país estava a fazer um grande esforço para conter a pandemia de covid-19.

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O documento de 12 páginas tem por base um inquérito a mais de 70 funcionários e sublinha que o jardim da residência oficial do primeiro-ministro "foi usado sem autorização ou supervisão", o que "não foi correto", referindo ainda que este tipo de comportamentos "são difíceis de justificar".

Por outro lado, a responsável pelo relatório destacou que o consumo excessivo de álcool no local do trabalho é "inapropriado", sobretudo depois de ouvir relatos de que vários funcionários estavam embriagados durante os encontros.

O relatório era esperado na semana passada, mas a abertura de uma investigação criminal implicou que a informação sobre alguns eventos tenha sido reduzida a "referências mínimas" para não prejudicar o trabalho da polícia que neste momento ainda está em curso.

Ao longo dos últimos meses, o primeiro-ministro tem estado sob pressão para demitir-se pela oposição e por vários deputados do próprio partido, muitos dos quais disseram que iriam esperar pelo relatório para decidir se iriam pedir uma moção de censura interna. As críticas ao líder cresceram nas últimas semanas depois de se saber que em abril e maio do ano passado ocorreram convívios nos jardins de Downing Street, sendo que o próprio Boris Johnson esteve presente num deles.

Além dos múltiplos pedidos de desculpas, o líder britânico foi tentando acalmar os ânimos apelando a que se esperasse pela apresentação do relatório da investigação, mas uma vez divulgado, Boris continua a negar um afastamento do cargo, o que está a levantar um clima de discórdia na casa da democracia britânica.

Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, acusa o líder de Downing Street de ser um "é um homem sem vergonha" por não se demitir perante as conclusões do relatório apresentado. No seu discurso, o deputado lembra as palavras da antiga primeira-ministra Margaret Tatcher, relembrando que o líder do Governo tem o dever de "obedecer à lei".

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