Bósnia e Herzegovina

Bósnia-Herzegovina condena pela primeira vez uma mulher por crimes de guerra

Bósnia-Herzegovina condena pela primeira vez uma mulher por crimes de guerra

A justiça bósnia condenou hoje pela primeira vez a uma pena de prisão por crimes de guerra uma mulher, uma muçulmana e uma das raras acusadas por tal tipo de crimes, cometidos durante a guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995.

Rasema Handanovic, de 39 anos, antiga membro das forças muçulmanas da Bósnia, que se confessou culpada, foi condenada a cinco anos e meio de prisão pelo tribunal bósnio pelos crimes de guerra de Sarajevo.

Na Bósnia, onde a guerra provocou cerca de 100 mil mortos, dois croatas estão atualmente a ser julgados e uma sérvia foi detida por crimes de guerra.

Segundo o porta-voz do ministério público para os crimes de guerra, Boris Grubesic, os nomes de dezenas de outras mulheres constam nas investigações.

Rasema Handanovic foi reconhecida culpada de "participação, em conjunto com outros membros da sua unidade, na execução (sumária) de três militares e de três civis" croatas, declarou a juíza Jasmina Kosovic.

Durante o julgamento, Handanovic admitiu que tinha participado nestes crimes e exprimiu "profundo arrependimento".

"Quero exprimir as minhas condolências às famílias das vítimas. Estou verdadeiramente desolada", afirmou.

PUB

"Cometi um crime, mas não sabia na altura que se tratava de um crime", declarou Handanovic, que à data dos factos, em 1993, tinha 21 anos.

Na época, Handanovic era membro da unidade especial Zulfikar, que dependia diretamente do Estado-Maior do exército bósnio, de maioria muçulmana.

Segundo o advogado, Handanovic tinha sido vítima de crimes de guerra no início do conflito.

"Ela foi violada por militares sérvios enquanto o namorado e outros membros da família foram mortos", precisou o advogado.

O tribunal aceitou na sexta-feira um acordo concluído entre Handanovic e o ministério público, que apelou para a aplicação de uma pena atenuada entre cinco e seis anos de prisão, quando a pena por crimes de guerra na justiça local pode ir até 45 anos.

Atualmente com um filho menor, Handanovic que tinha emigrado para os Estados Unidos depois da guerra da Bósnia e possui a dupla nacionalidade norte-americana e bósnia, foi extraditada pelos Estados Unidos em dezembro do ano passado.

A antiga presidente dos sérvios da Bósnia, Biljana Plavsic, de 81 anos, é a única mulher que foi condenada por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, a 11 anos de prisão.

Plavsic cumpriu a pena de prisão e vive atualmente em Belgrado.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG