Pandemia

Brasil regista primeira morte por Covid-19

Brasil regista primeira morte por Covid-19

O Brasil registou, esta terça-feira, a primeira morte causada pelo novo coronavírus, divulgou a secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

A vítima não foi identificada e as circunstâncias da morte deverão ser detalhadas numa conferência de imprensa com os médicos responsáveis pelas medidas para prevenir a disseminação da doença Covid-19.

A cidade brasileira de São Paulo vai passar a estar em situação de emergência, segundo um decreto assinado pelo prefeito Bruno Covas.

O decreto estabelece várias medidas para facilitar a compra de bens e serviços destinados ao combate da Covid-19 e abriu caminho para a possibilidade de suspensão de alguns serviços públicos não essenciais.

São Paulo, maior cidade do Brasil, onde vivem cerca de 12,2 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é um dos principais focos de contaminação por coronavírus do país.

Na última segunda-feira, o estado brasileiro do Rio de Janeiro entrou em estado de emergência devido à Covid-19 e o governo local anunciou que fechará ao público, a partir desta terça-feira, os seus principais locais turísticos, como o Corcovado e o Pão de Açúcar.

O Ministério da Saúde do Brasil registou oficialmente 243 casos de coronavírus na segunda-feira, mas levantamentos dos meios de comunicação locais junto das Secretarias de Saúde dos estados indicam que há pelo menos 301 casos confirmados da doença.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 180 mil pessoas no mundo, das quais mais de sete mil morreram. Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 75 mil recuperaram da doença.

Perante os números e o avanço da pandemia, as igrejas evangélicas do Brasil estão divididas entre minimizar a pandemia do novo coronavírus ou adotar medidas de prevenção cancelando cultos e atividades em diversas regiões do país.

Entre os que relativizam a doença estão líderes de três denominações neopentecostais de grande influência, o pastor Romildo Ribeiro Soares, conhecido pelo nome de RR Soares, da Igreja Internacional da Graça, o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

RR Soares disse aos fiéis para não terem medo da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, num culto transmitido pela televisão na semana passada. "A primeira palavra que quero dar hoje é para o povo de Deus não ficar com medo deste vírus que está vindo por aí, chamado coronavírus. Ele é a coroa do diabo, mas temos a coroa de Jesus sobre nós. Não tem que ter medo algum, já houve outras ameaças à humanidade", declarou.

Já o pastor Malafaia afirmou, num vídeo publicado ns redes sociais no sábado, que não pretende fechar os cultos, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde brasileiro. "A nossa igreja aqui vai ficar de portas abertas. Se amanhã, os governos disserem que vai impedir transporte público, fechar mercados, fechar todas as lojas, a igreja tem que ser o último reduto de esperança para o povo (...). Vamos ser racionais. Essa conta não vai cair em cima da gente. Isso é medida hiper extremada", defendeu Malafaia.

Segundo informações do jornal "Folha de S.Paulo", o bispo Edir Macedo, da IURD, divulgou um vídeo na aplicação Whastsapp em que diz que o coronavírus é inofensivo e que Satanás e a imprensa estão a exagerar e a promover o medo no país. "Meu amigo e minha amiga, não se preocupe com o coronavírus. Porque essa é a tática, ou mais uma tática, de Satanás. Satanás trabalha com o medo, o pavor. Trabalha com a dúvida. E quando as pessoas ficam apavoradas, com medo, em dúvida, as pessoas ficam fracas, débeis e suscetíveis. Qualquer ventinho que tiver é uma pneumonia para elas", declarou Macedo, no vídeo.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 145 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Depois da China, que regista a maioria dos casos, a Europa tornou-se o epicentro da pandemia, com mais 67 mil infetados e pelo menos 2684 mortos.