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Brasileiros desenvolvem telefone encriptado

Brasileiros desenvolvem telefone encriptado

Os brasileiros estão a desenvolver um telefone encriptado que poderá ficar ao alcance de todos, desde a presidente do país ao cliente bancário médio.

A história remonta a 2013, quando a presidente Dilma Rousseff cancelou uma visita a Washington, nos Estados Unidos da América, após os documentos divulgados por Edward Snowden indicarem que os seus telefonemas e trocas de e-mail com assessores de topo eram monitorizados pelos EUA.

Em reação, bancos brasileiros preocupados com a ciberfraude começaram a pressionar para haver maior proteção nos telemóveis, tendo o escândalo impulsionado o desenvolvimento do novo Granite Phone, que deve ser apresentado na próxima semana, durante o Congresso Mundial de Telemóveis em Barcelona.

A Sikur, uma empresa de segurança apoiado pela empresa G5 Evercore e pelo ex-barão da cerveja José Augusto Schincariol, começou a desenvolver o dispositivo após o caso Rousseff ter sido divulgado e as preocupações bancárias terem aumentado.

"O Brasil foi o epicentro do caso Snowden mas até agora não tivemos nenhuma reação concreta", disse Leandro Coletti, responsável da Sikur, numa conferência de imprensa em São Paulo, acrescentando que, no Brasil, é inevitável que esta tecnologia seja adotada, contando a empresa vender 80 mil telefones deste género ao longo do ano, avança a agência Bloomberg.

O telefone não permitirá que registos de chamadas, mensagens ou dados armazenados fiquem desprotegidos, à mercê de roubos, e será desbloqueado, o que significa que pode ser usado com qualquer operador, tendo um preço que rondará os 800 dólares nos EUA (cerca de 700 euros), sendo que, no Brasil, a maioria dos telefones custa três vezes mais do que no estrangeiro.

A empresa está também a negociar com um grande fabricante de telefones para a colocação do software do Sikur nos seus aparelhos, mas não identificou a empresa, tendo apenas sido revelado que o acordo deve ser assinado nos próximos dois meses.

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O Granite Phone vai chegar ao mercado depois do Blackphone da Silent Circle LLC, que começou a ser produzido no ano passado, com esta empresa, com sede em National Harbor, Maryland, às portas de Washington, a vender o seu telefone por 629 dólares (555 dólares), incluindo o armazenamento online encriptado.

O telefone da Sikur chega numa altura em que a cibersegurança se torna cada vez mais importante para os governos e para o setor privado, pelo que a empresa está segura de que haverá mercado para ambos os aparelhos.

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