Crime

Britânica condenada no Egito por tráfico de medicamentos

Britânica condenada no Egito por tráfico de medicamentos

Uma britânica foi esta terça-feira condenada a três anos de prisão por ter transportado 300 analgésicos para o Egito.

Laura Plummer tem 33 anos e foi detida no aeroporto de Hurghada, a 9 de outubro, com 290 comprimidos de Tramadol na sua mala, que disse serem para o seu marido egípcio que sofre de dor crónica nas costas.

A substância corresponde a um forte opiáceo analgésico, disponível para prescrição no Reino Unido, mas ilegal no Egito, onde é considerado como uma droga recreativa e o seu tráfico pode levar até 25 anos de prisão ou até à pena de morte em casos raros.

Após a sua detenção, a mulher terá sido forçada a assinar um documento de confissão de 38 páginas em árabe, língua que ela não entende.

A mulher foi condenada, esta terça-feira, a três anos de prisão por tráfico, segundo confirmou o advogado ao "The Guardian", mas a família clama pela sua inocência, afirmando que a sentença é "injusta" e que Laura não é uma traficante, nem percebeu os perigos que corria ao levar a substância para o país.

O advogado de Laura afirmou que a defesa está a considerar pedir recurso e que não tem "dúvidas de que os ministros dos Negócios Estrangeiros estarão a fazer contactos junto dos seus homólogos ministeriais egípcios para ver o que pode ser feito para que esta saga chocante termine".

A sentença aconteceu um dia depois do adiamento dos processos, devido a uma má tradução durante o julgamento, que originou que Laura se declarasse involuntariamente culpada das acusações.

Mohamed Osman, advogado de Laura, apresentou também ao tribunal o registo criminal limpo de Laura, uma referência do empregador, uma carta do Ministério das Relações Exteriores indicando que o Tramadol não apareceu nos conselhos de viagem do Egito sobre medicamentos proibidos, bem como um relatório médico do marido, mostrando que sofre de problemas crónicos nas costas.

O marido, Omar Abdel Azim testemunhou na manhã desta terça-feira, dizendo que sofria de uma hérnia discal há cinco anos. "Ela é minha esposa e quer aliviar a minha dor. Ela já me trouxe pomadas antes", disse ao juiz: "Da última vez que ela me visitou, a minha dor aumentou. Ela estava a tentar ajudar."

A família afirmou ainda que Laura não tentou esconder o remédio, que tinha recebido de um amigo e, na altura, até achou que era uma piada quando foi interpelada pelos funcionários do aeroporto.

O departamento de controlo de drogas do Egito, que tem uma linha de ajuda gratuita, recebeu, em agosto, mais chamadas sobre Tramadol, que é usado como substituto da heroína, do que qualquer outra droga, de acordo com Ghada Wali, ministro da solidariedade social.