Tensão

Bruxelas critica presença de militares russos na Venezuela

Bruxelas critica presença de militares russos na Venezuela

A Comissão Europeia considerou que a presença de militares russos na Venezuela cria "obstáculos a uma solução pacífica e democrática" para a crise política e social naquele país, prevendo uma "escalada de tensões".

"A situação na Venezuela está muito polarizada. Todos os atos ou gestos que intensifiquem a escalada de tensões só vão criar mais obstáculos a uma solução pacífica e democrática para a crise na Venezuela", afirmou o porta-voz da Comissão Europeia para a área da cooperação internacional e desenvolvimento, Carlos Martin Gordejuela.

Segundo o responsável, que falava na habitual conferência de imprensa diária, a União Europeia (UE) "continua a trabalhar para uma solução pacífica e democrática, incluindo através do Grupo de Contacto Internacional", que esta quinta-feira se reúne em Quito, no Equador, para uma segunda reunião ministerial.

Portugal é um dos oito países da UE representado na reunião, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

O grupo de contacto tem como meta definir um plano, em 90 dias, para um futuro processo político pacífico na Venezuela.

Opostas são as visões da Rússia e dos Estados Unidos sobre a crise na Venezuela, o que só aumentou após a chegada ao país, no fim de semana, de dois aviões russos e um grupo de 99 militares da Rússia para apoiar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

O autoproclamado presidente interino da Venezuela disse na terça-feira que a presença de quase uma centena de militares russos no país "viola a Constituição". Segundo Juan Guaidó, esta presença deveria ser autorizada pelo parlamento venezuelano, o único poder público controlado pela oposição no país.

"Parece que [no Governo, do presidente Nicolás Maduro] não confiam nos seus militares, porque estão a importá-los, violando a Constituição novamente", disse.

Nesse dia à noite, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, afirmou em comunicado que a Rússia enviou militares "em estrita concordância" com a Constituição venezuelana e com um acordo bilateral de cooperação militar.

Já na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou que a Rússia "deve sair" da Venezuela.

Quanto tempo?

Moscovo advertiu esta quinta-feira que as tropas russas que chegaram no fim de semana à Venezuela permanecerão no país "enquanto for necessário" em apoio ao regime do presidente venezuelano, garantindo "não ameaçar ninguém".

A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, disse tratar-se de "especialistas" russos.

"Eles ocupam-se da aplicação dos acordos assinados no campo da cooperação técnica e militar. Quanto tempo? O tempo que for preciso. Enquanto for necessário ao Governo da Venezuela", disse a porta-voz russa.

Os Estados Unidos e mais de 50 países consideram que a reeleição de Maduro, em 2018, não tem legitimidade e reconheceram Guaidó como presidente interino.

Donald Trump tem dito que todas as opções estão em aberto, relativamente à Venezuela, não eliminando a possibilidade de uma intervenção militar, para tentar derrubar Nicolas Maduro.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o opositor e presidente da Assembleia Nacional (parlamento), Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Na Venezuela, a confrontação entre as duas fações tem tido repercussões políticas, económicas e humanitárias.

Nesta área, a UE já contribuiu com 117,6 milhões de euros desde 2018 para alimentação, abrigo e cuidados de saúde de emergência e, de acordo com Carlos Martin Gordejuela, "vai continuar".

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