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Bruxelas proíbe exportação para ter vacinas na Europa

Bruxelas proíbe exportação para ter vacinas na Europa

As vacinas contra a covid-19 produzidas em território comunitário só poderão ser exportadas com autorização expressa. A decisão tomada pela Comissão Europeia é global, mas acerta em cheio na AstraZeneca, que cortou para um quarto o número de doses que pretende entregar à União. A guerra já é aberta e envolve o Reino Unido - um mês após o Brexit. Bruxelas diz que pretende assegurar vacinas para os europeus.

A sujeição a autorização prévia para exportar foi decidida pela Comissão Europeia como uma "apólice de seguro", disse a comissária da Saúde, Stella Kyriakides. O vice-presidente, Valdis Dombrovskis, justificou que pretende "conseguir, de imediato, completa transparência" e, "se necessário, dará uma ferramenta para garantir a entrega de vacinas". Note-se que o Reino Unido optou por administrar todas as vacinas recebidas da Pfizer, sem guardar doses suficientes para o necessário reforço.

A AstraZeneca invocou dificuldades de produção na unidade na Bélgica para justificar o corte no número de doses que entregará à Europa no primeiro trimestre. O corte ("inaceitável", diz Bruxelas) será de 25% e já motivou uma inspeção das autoridades belgas à fábrica de Seneffe, para se saber se o atraso se deve, de facto, a problemas de produção. As conclusões devem ser conhecidas nos próximos dias.

Nesta guerra, Bruxelas garante que o contrato deixa claro que as duas fábricas do Reino Unido pertencem à rede de abastecimento à Europa, pelo que parte da sua produção deve ser remetida aos estados-membros. A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, já declarou que a Europa financiou a AstraZeneca que, agora, tem que cumprir o contrato. "Não há qualquer explicação plausível" para o atraso, disse, a uma rádio alemã.

A AstraZeneca responde que o contrato assinado com o Reino Unido (três meses antes de ter assinado com a Europa) a impede de tirar vacinas daquele país antes de lhe entregar as 100 milhões de doses previstas.

Após a declaração de Bruxelas, o presidente da farmacêutica, Pascal Soriot, admitiu enviar para a Europa vacinas produzidas noutras partes do Mundo.

define "melhor esforço"

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No contrato de 42 páginas (e censurado, em boa parte) a farmacêutica compromete-se a fazer "os melhores esforços" para entregar as doses à Europa. A expressão, diz Bruxelas, é usual quando está em causa um produto em desenvolvimento. É, porém, o argumento com que a AstraZeneca garante não ter assinado um compromisso firme, mas apenas uma intenção.

Leyen reúne com farmacêuticas

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, vai reunir-se com todas as farmacêuticas com as quais a Comissão Europeia assinou contratos para a compra de vacinas. O site noticioso "Politico" diz que o encontro está marcado para amanhã, por videoconferência. A reunião visa encontrar mecanismos de cooperação entre os setores público e privado, tendo em vista a resposta à atual e a futuras pandemias.

sanofi e Novartis fabricam pfizer

Confrontada com dificuldades no desenvolvimento da sua vacina, a francesa Sanofi já tinha dito que vai auxiliar na produção do fármaco da Pfizer. Ontem, a Novartis anunciou ter chegado a acordo com a Pfizer para começar a fabricar a vacina. As primeiras doses deverão sair da fábrica de Stein, na Suíça, no terceiro trimestre.

Novavax com 89,3% de eficácia

Os ensaios clínicos em larga escala da vacina da Novavax mostram uma eficácia global de 89,3% e de 86% contra a variante inglesa. O ensaio que decorre na África do Sul mostra uma eficácia de 60% contra a estirpe sul-africana, entre os voluntários que não são portadores de HIV.

salvaguarda a países vizinhos

Bruxelas não vai bloquear a exportação de vacinas para os países que se comprometeu a auxiliar. Entre os países vizinhos que receberão as doses prometidas, Valdis Dombrovskis nomeou os Balcãs ocidentais. Também não será afetada a participação da Europa na iniciativa global Covax, organizada pela ONU para assegurar que 92 países em vias de desenvolvimento recebam dois mil milhões de doses até ao fim do ano.

sim à Astrazeneca desde os 18 anos

Como previsto, a Agência Europeia do Medicamento autorizou a vacina da AstraZeneca, a administrar a todas as pessoas com mais de 18 anos. Caiu por terra a intenção das autoridades de saúde alemãs, que diziam não haver dados suficientes dos ensaios clínicos sobre a eficácia da vacina em pessoas mais velhas.

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