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Bulldogs em risco devido a alterações genéticas artificiais

Bulldogs em risco devido a alterações genéticas artificiais

Um trabalho académico desenvolvido na Universidade da Califórnia concluiu que existe uma falta de diversidade na raça bulldog, devido às alterações genéticas feitas ao longo do tempo.

O bulldog inglês tem uma diversidade genética muito baixa devido à "pequena quantidade de população fundadora" e às "alterações genéticas artificiais". O resultado surge num estudo publicado, esta semana, na revista "Canina genética e Epidemiológica", desenvolvido por três investigadores de medicina veterinária, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos da América.

Esta falta de genes representa um enorme desafio para os criadores da raça, que esperam reintroduzir, de forma natural, traços genéticos mais saudáveis na população, uma prática chamada reprodução inversa. "Vai ser difícil, ou praticamente impossível, voltarmos atrás", disse Niels Pedersen, um dos autores do artigo, à "National Geographic".

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O grupo de cientistas recolheu amostras de ADN de 139 animais de dois grupos distintos. Numa das amostras incluíram animais saudáveis a viver na América do Norte, Europa e Argentina. A outra amostra era constituída por exemplares internados num hospital veterinário.

Na população saudável esperavam que cada animal tivesse uma estrutura genómica distinta. Mas no caso dos animais desta raça, tal não foi verificado. Foi também identificada uma falta de diversidade na região do genoma que regula o sistema imunológico dos cães e não foram observadas grandes diferenças entre os animais saudáveis e os doentes.

Esta falta de diversidade deve-se à combinação entre o reduzido número de animais fundadores da raça e às alterações genéticas provocadas. Os cientistas acreditam que os bulldogs modernos resultam de uma população fundadora de apenas 68 animais. Com o passar do tempo, a raça foi perdendo ainda mais diversidade. Para terem os rostos pequenos, o corpo atarracado e a pele enrugada passaram a ser escolhidos de forma seletiva.

Os bulldogs ingleses apresentam, cada vez mais, problemas de respiração, pele e muitos deles não podem acasalar de forma natural ou dar à luz. Se os problemas de dificuldade respiratória começarem cedo, é improvável que vivam mais do que cinco anos.

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