Polémica

Burger King desafiou russas a engravidarem de jogadores do Mundial

Burger King desafiou russas a engravidarem de jogadores do Mundial

O Burger King da Rússia ofereceu, numa promoção já cancelada, 40 mil euros e hambúrgueres grátis para toda a vida às russas que engravidassem de um jogador do Mundial 2018, a decorrer no país até 15 de julho.

"As mulheres que conseguirem os melhores genes futebolísticos vão promover o sucesso da equipa russa nas próximas gerações", podia ler-se no anúncio publicado no "VKontakte", uma rede social russa equivalente ao Facebook.

A promoção gerou revolta nas redes sociais e no país anfitrião do Campeonato do Mundo. "Este é o reflexo direto do nível em que a nossa sociedade está em relação às mulheres", comentou uma mulher na rede social russa.

Tanto na publicidade como nos meios de comunicação social, as mulheres russas são retratadas como predadoras sexuais que "caçam" as suas presas. "Truques de amor: belezas russas atraem fãs estrangeiros", escreve o jornal "Moskovskiy Komsomolets", enquanto o site desportivo "Championat" descreve "como as belezas russas captam estrangeiros".

A Burger King Rússia já emitiu entretanto um comunicado onde pediu desculpa pela promoção em causa. "Lamentamos pelo anúncio que fizemos. Acabou por se revelar insultuoso. Agradecemos o vosso feedback", escreveu.

Já em 2017, a cadeia de restaurantes Burger King da Rússia usou a fotografia de uma vítima de violação numa campanha publicitária.

O sexismo na Rússia

Este tipo de polémica não é nova na Rússia pós-comunista. Os debates sobre o papel dos géneros recebem pouca atenção nos meios de comunicação social, nos quais o feminismo é frequentemente descartado.

Alyona Popova, ativista dos direitos das mulheres, disse à BBC que havia uma falta de assertividade nas mulheres russas. "Se os homens dizem em todo o lado que uma mulher é apenas um corpo, encontram desculpas para justificar o assédio sexual e culpam as vítimas de violência doméstica pelo que aconteceu, as mulheres começam a pensar que essa é a norma", explicou.

A ativista referiu ainda um recente escândalo, que envolvia Leonid Slutsky, deputado parlamentar russo, acusado de má conduta sexual por várias jornalistas. Apesar da indignação pública, o deputado conseguiu manter o cargo, depois de todas as acusações terem sido arquivadas pela comissão de ética do parlamento.

Atualmente, não há legislação referente ao assédio na Rússia, embora tenha havido algumas tentativas de apresentar um projeto de lei após o escândalo Slutsky.

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