Explosão

Buscas pelos cinco desaparecidos na Alemanha continuam, mas sem esperança

Buscas pelos cinco desaparecidos na Alemanha continuam, mas sem esperança

O presidente do grupo Currenta, proprietário da unidade de tratamento de resíduos químicos onde ocorreu na terça-feira uma explosão que fez dois mortos, na Alemanha, declarou, esta quarta-feira, que os cinco trabalhadores desaparecidos estão provavelmente mortos.

"Consideramos, infelizmente, que não encontraremos os desaparecidos vivos", disse Frank Hyldmar em conferência de imprensa em Leverkusen, no oeste do país.

Quatro deles eram funcionários da Currenta, o outro é um colega de uma empresa externa, precisou.

A explosão, ocorrida às 9.40 horas locais (8.40 horas em Lisboa) e ouvida a várias dezenas de quilómetros, e o incêndio que se lhe seguiu produziram uma enorme coluna de fumo negro, que se erguia do local do acidente ao longo do dia.

Lars Friedrich, o diretor do parque industrial da indústria química afetado - um dos maiores da Europa, onde têm unidades de produção cerca de 70 empresas, entre as quais a gigante farmacêutica Bayer -, tinha já admitido na véspera que as esperanças de encontrar sobreviventes eram reduzidas.

As operações de socorro prosseguiram esta quarta-feira, mas tornaram-se mais difíceis devido ao calor que ainda se desprende dos escombros calcinados.

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As equipas devem também ter em conta a possível presença de substâncias tóxicas, já que a explosão incendiou tanques de solventes químicos.

Para se protegerem de eventuais poluentes atmosféricos nocivos, a população de Leverkusen foi instada, na terça-feira, a isolar-se em casa, um aviso que foi levantado ao fim da tarde.

"Estamos a trabalhar para determinar as causas do acidente", disse Hyldmar, considerando ainda demasiado cedo para adiantar alguma coisa.

O ministério público e a polícia da cidade de Colónia, situada a cerca de 20 quilómetros de Leverkusen, anunciaram a abertura de um inquérito "contra x" relativo a um "início de suspeita de negligência conducente à explosão e homicídio involuntário", num comunicado conjunto.

Foi formado um grupo de investigação, precisaram, sublinhando que o acesso ao local do acidente se encontra muito restringido e que a intervenção dos bombeiros e da polícia no terreno se vai prolongar durante vários dias.

As equipas de resgate estão a utilizar drones para avaliar os riscos nas áreas ainda inacessíveis."A busca dos desaparecidos tem a prioridade", frisaram.

A explosão, que fez também 31 feridos, um dos quais com gravidade, causou choque em Leverkusen, uma cidade industrial de cerca de 160 mil habitantes. As autoridades tinham pedido aos habitantes "para permanecer em espaços fechados, desligar o ar condicionado e, por precaução, manter as janelas e as portas fechadas".

Era ainda recomendado aos locais para não tocarem em resíduos do acidente e lavarem frutos e legumes dos seus quintais. As análises toxicológicas estão ainda em curso.

Os responsáveis da pasta do Ambiente do Estado regional da Renânia-do-Norte-Vestefália, onde se situa a unidade de tratamento de resíduos químicos onde se deu o acidente, indicaram que se assume que a explosão libertou dioxinas, bifenil policlorado (PCB) e furano na nuvem de fumo que produziu.

"A concentração em que tal sucedeu ainda está a ser investigada. As investigações levam bastante tempo", reconheceu um porta-voz do Governo regional, citado pela imprensa local.

Os danos poderiam ter sido mais graves: o risco de explosão de um segundo reservatório que continha 100 mil litros de resíduos tóxicos altamente inflamáveis mantinha-se após o incêndio, indicou na terça-feira o ministro do Interior regional da Renânia-do-Norte-Vestefália, Herbert Reul.

O perigo foi afastado graças à intervenção numerosa - mais de 300 efetivos - dos bombeiros, acrescentou.

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