Nova lei

Caçadores de animais em extinção recebem 100 chicotadas na Indonésia

Caçadores de animais em extinção recebem 100 chicotadas na Indonésia

Caçadores que ameaçam animais em vias de extinção podem receber até 100 chicotadas sob as novas regras na província de Aceh, na Indonésia, onde o castigo é normalmente reservado para crimes de moralidade perante a lei islâmica.

A flagelação pública é uma punição comum por ofensas, incluindo jogos de azar, consumo de álcool e sexo antes do casamento, naquela região, que é a única área na Indonésia a impor lei religiosa. As novas regras, implementadas na semana passada, são as primeiras a punir crimes contra a vida selvagem.

A punição, que deverá entrar em vigor no início do próximo ano, será dirigida a pessoas condenadas por colocar em risco a vida selvagem, que podem receber até 100 chicotadas de uma cana de vime, além de pena de prisão, anunciaram as autoridades. Os funcionários públicos encarregados de proteger os animais podem ser chicoteados até 60 vezes se forem considerados negligentes durante as suas funções.

De acordo com o "Daily Mail", três pessoas foram chicoteadas 100 vezes cada uma, em julho, por terem relações sexuais antes do casamento. No ano passado, dois homens apanhados a abusar sexualmente de meninas menores também levaram 100 chicotadas cada um. Outras ofensas podem resultar igualmente em dezenas de chicotadas. O legislador de Aceh, Nurzahri, disse que a nova punição melhorou os esforços para conter a caça furtiva e outras ameaças à vida selvagem local.

"Manter a natureza e o seu equilíbrio faz parte da lei islâmica. Aceh é o centro da biodiversidade em Sumatra e é o habitat de alguns animais como orangotangos, rinocerontes, elefantes e tigres", afirmou o político na última sexta-feira.

Grupos de direitos humanos criticaram o uso público da cana de vime "por ser cruel" e o presidente da Indonésia, Joko Widodo, pediu que a punição terminasse, mas a prática tem muito apoio da população de Aceh. Cerca de 98% dos cinco milhões de habitantes da região são muçulmanos.