Suécia

Camião volta a ser usado como arma de terror

Camião volta a ser usado como arma de terror

Pelo menos 105 pessoas já morreram na Europa, nos últimos nove meses, em atentados terroristas em que são usados veículos. Sexta-feira, quatro perderam a vida em Estocolmo, na Suécia.

É um ataque a toda a Europa, disse Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia. Um homem foi detido ao final do dia.

Foi ao início da tarde que um camião de distribuição de bebidas avançou sobre a multidão, numa via pedonal de Drottninggatan, no centro da capital sueca. Segundo os media daquele país, ouviram-se tiros também. A chacina deixou quatro mortos e quinze feridos. O dia 7 de abril ficará assim marcado a sangue, deixando os suecos perplexos e a Europa confrontada, uma outra vez, com a sua vulnerabilidade.

Ao JN, pouco depois do ataque, o sueco Anders Andersson, ex-jogador do Benfica, mostrou-se estarrecido. Num discurso nervoso, afirmou que tudo isto "é assustador". "É sempre assustador, aconteça aqui, na Alemanha ou noutro país. Mas a Alemanha é um país envolvido nas grandes decisões sobre o Mundo. Já a Suécia é um país pequenino e amigável", disse, em choque.

A mensagem talvez seja essa mesma: nenhum país da Europa está a salvo. "Um atentado é apenas uma questão de oportunidade", salientou ao JN o especialista em terrorismo e segurança José Manuel Anes. Por isto mesmo, são imperativas "ações concertadas entre todos os estados", sublinhou.

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O presidente da Comissão Europeia veio mostrar o seu apoio à Suécia e sublinhar que "um ataque contra qualquer Estado-membro é um ataque contra nós todos". Por cá, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reforçou a ideia de que a União Europeia precisa de "uma posição comum perante o terrorismo", sem descurar os direitos humanos.

Recorde-se que a Suécia foi o quarto alvo europeu, nos últimos dez meses. A 14 de julho do ano passado, 84 pessoas morreram num ataque semelhante em Nice, no Dia Nacional de França; já perto do Natal, um outro teve lugar na Alemanha, em Berlim, matando mais 12. As diretrizes do autoproclamado Estado Islâmico estavam a ser cumpridas, num altura em que começava a perder terreno e poder económico. Recentemente, foi a vez de Londres. A 22 de março, um homem atirou o carro para cima de peões junto ao Parlamento, matando seis. Um era polícia.

Caça ao homem

As autoridades suecas responderam prontamente e, em pouco tempo, o metro foi parado, os comboios suprimidos, os autocarros deixaram de circular. Soube-se que o camião fora roubado e começou a caça ao homem.

A Polícia apelou aos cidadãos que estavam em casa para não saírem; e, mais tarde, para os outros, a Câmara de Estocolmo disponibilizou alojamento, caso não conseguissem usar os transportes para fazerem o regresso. Como as linhas telefónicas começaram a acusar saturação, foi pedido que se desse preferência à Internet.

Entretanto, todos os edifícios governamentais foram encerrados, a fotografia de um homem foi divulgada - percebendo-se depois que não era suspeito, mas alguém importante para a investigação - e, ao fim da tarde, um outro indivíduo foi detido.

As autoridades confirmaram depois que aquele poderia ter ligação ao ataque, mas não adiantaram mais. Segundo a jornal sueco "Aftonbladet", o homem terá assumido que era o responsável pelo atentado.

O rei Carlos Gustavo - em visita oficial ao Brasil - enviou uma mensagem de consternação e solidariedade para com as famílias das vítimas. E a Casa Real avançou que anteciparia o seu regresso.

Ao lado, a Finlândia e a Noruega reforçaram as medidas de segurança nos grandes centros urbanos e nos aeroportos. Os agentes noruegueses passarão a andar armados nas principais cidades, até novo aviso. Já a Finlândia optou por aumentar as patrulhas em Helsínquia.

*Com agências

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