Espanha

Camionistas espanhóis mantêm protesto após acordo de "migalhas"

Camionistas espanhóis mantêm protesto após acordo de "migalhas"

Uma parte importante dos camionistas espanhóis mantém a greve iniciada há 11 dias, assim como o protesto convocado para esta sexta-feira em Madrid, apesar do acordo alcançado esta madrugada, entre o Governo e uma associação que consideram minoritária.

O presidente da Plataforma de Defesa dos Transportes Rodoviários (PDTR), Manuel Hernández, considerou que o acordo alcançado com o Governo se traduz em "migalhas e gorjetas" e advertiu que a greve continuará até que esta plataforma, que iniciou a greve, seja recebida pela ministra dos Transportes, Raquel Sánchez.

"Ninguém ainda falou connosco, continuam a sentar-se com as pessoas erradas, e continuam a oferecer migalhas e dicas para acabar com um conflito que de forma alguma envolve um desconto no preço do gasóleo", disse Hernández em declarações à Rádio Nacional Espanhola.

O Governo e o Comité Nacional dos Transportes Rodoviários (CNTC) chegaram a um acordo durante a madrugada desta sexta-feira, que inclui uma redução de 20 cêntimos por litro de combustível até 30 de junho (o que equivale a uma poupança média de 700 euros por mês por camião) e que envolve uma ajuda no total de 1,050 milhões de euros.

Deste montante, 600 milhões serão utilizados para conceder um desconto de 15 cêntimos por litro de combustível aos profissionais deste grupo, ao qual se acrescentarão outros 5 cêntimos - no mínimo - fornecidos pelas companhias petrolíferas, e 450 milhões em ajudas diretas ao setor, tanto para o transporte de mercadorias como de passageiros.

Entre outras medidas, o Governo está também empenhado em enviar à CNTC, antes de 31 de julho, um projeto de lei para aplicar ao setor dos transportes "os princípios da lei da cadeia alimentar", a fim de evitar o abuso da subcontratação e o pagamento de um preço mais baixo pelos seus serviços do que os seus custos.

Esta última medida é precisamente a principal exigência dos pequenos transportadores que têm estado parados nas últimas duas semanas e que se recusam a sentar-se à mesa de negociações com as empresas de carga - que estão representadas na CNTC.

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A paragem dos camiões está a causar problemas de abastecimento em vários setores, como a indústria leiteira, que teme um encerramento de várias unidades de transformação se o conflito não for resolvido.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, manifestou no início desta semana a sua convicção em como iria chegar a um acordo com o setor dos transportes, em greve, para atenuar o aumento dos preços dos combustíveis, especialmente do gasóleo.

Sánchez insistiu que o resultado do diálogo com os camionistas e o da cimeira europeia que termina hoje, em Bruxelas, iria permitir chegar a um bom acordo para atenuar as consequências económicas da guerra, proteger os grupos mais vulneráveis e distribuir os encargos económicos da guerra na Ucrânia.~

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