Grécia

Campo de refugiados de Moria a ferro e fogo sem apoio de ONG

Campo de refugiados de Moria a ferro e fogo sem apoio de ONG

Moria, o maior campo de refugiados da Europa, com 13 mil pessoas num espaço para 2500, ardeu durante a noite desta quarta-feira depois de distúrbios originados por um surto de covid-19, levando à fuga de milhares de migrantes. Organizações de auxílio humanitário estão impedidas de ajudar.

Para evitar que entrassem em Mitilene e a doença se pudesse disseminar, as forças de segurança gregas trancaram-nos na estrada. E ordenaram aos residentes que se fechassem em casa, incluindo a grupos de voluntários que tentavam levar apoio médico e comida aos deslocados. Protestos de extrema-direita que ocorriam em simultâneo tornavam a situação explosiva na pequena Ilha de Lesbos, obrigando o Governo a declarar o estado de emergência.

Erik Kempson, do "Project Hope", conta ao JN que os fogos começaram por volta das 23 horas de terça-feira, dentro do campo. "O campo é um complexo militar supervisionado pelo Exército, pelo que é um pouco estranho a inoperância no controlo dos incêndios", confessa aquele que é um dos rostos mais visíveis da luta pelos direitos dos refugiados. A situação é caótica, diz. "As pessoas fugiram do fogo, os militares trancaram as estradas num raio de seis quilómetros em torno do campo, para evitar que chegassem a Mitilene. E há um surto de covid-19 entre os migrantes, que na maioria dos casos, nem acesso a água potável têm". Kempson tentou contactar as autoridades para distribuir medicamentos, alimentação e outros bens necessários na estrada, mas foi impedido.

Ameaça extremista

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José Luís Faria, voluntário português em Lesbos, confirma. "As ordens do Governo é para que toda a gente fique em casa. É desumano, estamos proibidos de intervir". Trancado nas instalações de uma ONG espanhola, age à revelia. "Temos de fazer algo, vamos tentar aproximar-nos e compreender o estado da situação. Além do mais, nós estamos fechados, mas há protestos fascistas por toda a ilha." E já atacaram "diversas sedes de ONG", assegura Kempson.

Os refugiados estão a ser transferidos para outros campos militares na ilha. Mas, segundo José Faria, "há milícias de extrema-direita, cerca de uma centena de indivíduos, à espera da passagem dos autocarros". Sabe-se ainda que um ferry e dois navios vão albergar 3500 pessoas e que 400 menores serão alojados no continente.

Conhecedor das condições de Moria desde 2015, Kempson lamenta que os direitos humanos estejam "destruídos na Europa". "Estas pessoas, que estão presas na estrada, perderam o pouco que tinham e necessitam do máximo de apoio. É a maior crise humanitária do século".

O número de infetados com covid continua incerto, sabendo-se apenas que o primeiro caso foi detetado há uma semana e que pelo menos 35 testaram positivo para o novo coronavírus. A imposição de quarentena aos migrantes estará na origem dos protestos, segundo o ministro das Migrações, Notis Mitarakis, que promete que "fenómenos de delinquência como aqueles não ficarão impunes".

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