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Canadianos votam hoje em eleição nacional de final imprevisível

Canadianos votam hoje em eleição nacional de final imprevisível

Os canadianos estão, na segunda-feira, a votar para eleger um novo Parlamento, após uma campanha eleitoral renhida, que pode derrubar o primeiro-ministro, Justin Trudeau, no final do seu primeiro mandato.

O resultado eleitoral só será conhecido ao final da noite e, segundo as mais recentes sondagens, é imprevisível, não se sabendo se o Liberal Justin Trudeau mantém o lugar ou se é ultrapassado pelo Conservador Andrew Scheer

Os mais de 27 milhões de eleitores, num vasto país que tem seis fusos horários, estão a escolher os 338 deputados, que se envolveram numa acesa campanha para determinar qual dos dois partidos que desde 1867 se alternam no poder sairá vencedor.

As mais recentes sondagens dizem que o partido Liberal, de Trudeau, deverá ter entre 31 e 34% dos votos, com os Conservadores, de Scheer, a ficarem num intervalo entre 32% e 33%.

De acordo com estas estimativas, qualquer um dos dois partidos poderá ganhar, mas nenhum deles conseguirá governar sem obter apoio de partidos mais pequenos, de cujo leque se destacam o Novo Partido Democrata (esquerda) e o Bloco Quebequense (um grupo regional que colocou os problemas locais no centro do debate de umas eleições federais).

Outra força política que teve forte visibilidade na campanha são os Verdes, de Elizabeth May, cuja mensagem de alerta para as alterações climáticas parece suscitar a preocupação da população canadiense.

Justin Trudeau não escapou à centralidade do tema e, na fase final da campanha, fez o apelo para que os eleitores escolhessem "um Governo progressista forte, que una a população e lute contra as mudanças climáticas", trazendo para a campanha a promessa de um imposto sobre o carbono, onde, de resto, foi acompanhado por idêntica promessa do lado do partido Conservador.

O sistema político do Canadá permite que o primeiro-ministro cessante se mantenha no cargo, mesmo que o seu partido não vença as eleições, caso garanta a maioria de apoio parlamentar, o que levou a oposição a acusar Justin Trudeau de estar a tentar negociar uma maioria, nos bastidores, com o Novo Partido Democrata.

Mas o atual primeiro-ministro sai do seu primeiro mandato com uma imagem enfraquecida por diversos escândalos (um deles por ter aparecido numa fotografia de juventude de cara pintada de negro, para representar a população escrava) e a sua popularidade caiu fortemente após um caso de ingerência política num processo judicial.

A crise de imagem fez com que, de forma pouco vulgar, o ex-Presidente dos Estados Unidos Barack Obama viesse a terreiro na campanha, com um pedido de apoio a Trudeau, alegando que "o mundo precisa da sua liderança progressista".

O seu principal adversário, Andrew Scheer, aproveitou o momento de fragilidade política de Trudeau para trazer para a agenda de campanha os seus temas queridos: regresso a orçamentos equilibrados e cortes de impostos.

Mas alguns temas pareceram mais consensuais entre as duas principais forças políticas, como a necessidade de garantir a assinatura de um novo acordo de comércio com o México e os EUA e as preocupações com a sustentabilidade financeira das contas públicas.

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