Eleições EUA

Biden senta-se no precipício da vitória e agora é só esperar

Biden senta-se no precipício da vitória e agora é só esperar

Democrata vira votação e vai à frente em três de quatro estados fulcrais. Vitória de Trump parece uma miragem.

Às oito da manhã, 13 horas em Portugal, a Fox News, canal de TV trumpista, abriu assim o noticiário: "Joe Biden está sentado no precipício da vitória e só lhe resta esperar. Os caminhos do presidente Trump para a vitória são agora menos e são mais estreitos" - e a cara do apresentador, que a seguir debitou os números da revirada, não conseguiu disfarçar a sensação, cada vez mais exata, crescente, de que o incumbente não será reeleito e que o próximo presidente norte-americano vai ser democrata.

Trump entra para a história: será o 11.º presidente, em 45, que não consegue passar do 1.º mandato, como Ford, Carter e Bush pai. Depois de uma noite eleitoral em que vimos uma miragem vermelha e se chegou a sentir imprecisamente que Donald Trump podia, como em 2016, virar a eleição, quatro dias depois, a onda azul democrata, lenta mas imparável, toma conta do país.

Ponto de situação: Biden soma 264 votos no Colégio Eleitoral; Trump tem 214; o número da vitória é 270, que dá a maioria nos 538 votos colegiais. Com quatro estados com a corrida ainda aberta (o Arizona já é azul, dizem a Fox e a AP desde a madrugada eleitoral), o democrata tem três desses quatro caminhos abertos para a vitória e só precisa de um deles.

Pode ser já o Nevada (6 votos eleitorais; vai à frente com mais de 20 mil boletins); pode ser a Pensilvânia (20 votos colegiais), onde anteontem ia atrás por meio milhão e agora lidera por mais de 14 mil, numa revirada espetacular; pode ser na Geórgia, o "estado laranja" que os democratas não vencem desde 1992 e que também virou em 24 horas de vermelho para azul (vantagem Biden de 1546 votos, mas continuava a crescer à hora de fecho desta edição). Só a Carolina do Norte, já com 95% dos boletins apurados, continua a seguir em direção a Trump (+76 mil votos).

Como são, então, os caminhos de vitória do presidente Trump? Uma miragem. E muito forçada: teria que ganhar, obrigatoriamente, os quatros estados ainda em disputa, incluindo o pequeno Nevada - e mesmo assim seria uma vitória acanhada, somando 271 votos.

Recontagens a caminho

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Aqui chegados, a batalha de Trump já não parece ser eleitoral, mas meramente judicial, com a campanha do candidato republicano a tentar de tudo para levar a decisão para os tribunais.

Há agora diversas ações judiciais a tentar alvejar o escrutínio na Pensilvânia, no Nevada, na Geórgia e até no Michigan, onde Joe Biden lidera com 50,5% contra 47,9%, quando estão reportados 98% dos boletins. A intenção de parar a contagem por dificuldade de acesso de observadores próprios já foi rejeitada pelo Tribunal Federal do Michigan, tal como foi a suspeição sobre a contagem na Geórgia - mas aqui, anunciou ontem o secretário de estado republicano Brad Raffensperger, "terá que haver uma recontagem porque a diferença entre os candidatos é muito curta". Na Geórgia, portanto, a eleição pode atrasar-se até quase ao fim do mês.

Outra ação, no Wisconsin, vai pedir intentar a recontagem dos votos, com base numa diferença inferior a 1%. Na Pensilvânia, que é o estado mais disputado, as ações judiciais já começaram a atrasar a contagem, obrigando os votos recebidos depois do dia da eleição a uma verificação demorada, ficando numa espécie de quarentena e não se somando, para já, aos totais. Aqui Trump está também a tentar empurrar a decisão para o Supremo Tribunal.

Trump vai conceder?

Assim, quando é expectável haver a declaração oficial de vitória? É a resposta de um milhão de dólares e que ninguém se atreve a adivinhar. Mas há duas datas fundamentais: a 14 de dezembro o Colégio Eleitoral é obrigado a reunir e ratificar os votos; e a 20 janeiro de 2021 o 46.0 presidente norte-americano tem que tomar posse - ou então a decisão é tomada na Câmara dos Representantes, parte baixa do Congresso dominada pelos democratas.

Perante este cenário, quando irá Trump admitir a derrota? "O presidente não tem planos para conceder a eleição", disse um assessor sénior à Fox News ontem à noite. "Ele está simplesmente cético. No fim, acreditamos que ele vai ter que conceder, mas por agora ainda não chegou lá", disse o assessor. Até porque já tem membros do Partido Republicano a pedir que se respeite a democracia.

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