Eleições EUA

Mundo felicita Biden, mas Rússia mantém reservas e Bolsonaro está em silêncio

Mundo felicita Biden, mas Rússia mantém reservas e Bolsonaro está em silêncio

Da Europa ao Médio Oriente, da Ásia à América do Centro e Sul, inúmeros países e organizações felicitam o presidente eleito dos EUA, Joe Biden, com duas exceções, México, que espera clarificação, e Bolsonaro, que se mantém em silêncio com a derrota de Trump.

A confirmação da vitória de Joe Biden nas eleições norte-americanas, anunciada no sábado após as projeções lhe atribuírem o triunfo no estado da Pensilvânia, está a ser recebia com alívio por várias organizações mundiais, com uma renovada esperança para o clima, para a cooperação mundial e as relações com a Europa.

Os ambientalistas consideram a eleição "um ponto de viragem", enquanto a Organização Mundial da Saúde, a quem Trump retirou o financiamento dos EUA, disse estar ansiosa por trabalhar com Joe Biden e Kamala Harris.

Minutos depois de anunciada a vitória projetada de Biden, vários governantes mundiais felicitaram o presidente eleito. Uma das exceções vem do Brasil. O presidente em exercício, Jair Bolsonaro, que já declarou publicamente admiração por Trump, a quem vê como uma espécie de modelo político, esteve no sábado em direto na rede social Facebook, abordando questões locais, mas não fez menção ao processo eleitoral que terminou na derrota de aliado, segundo a agência espanhola EFE.

Mesmo assim, fez questão de criticar Joe Biden, que questionou as políticas agressivas de Bolsonaro para o meio ambiente e, em particular, para a Amazónia, que tem sido alvo da maior desflorestação das últimas décadas.

Apesar do silêncio de Bolsonaro e do Governo do Brasil, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, felicitou o presidente eleito dos Estados Unidos. "A vitória de Joe Biden restaura os valores de uma democracia verdadeiramente liberal, que valoriza os direitos humanos, individuais e das minorias", escreveu Rodrigo Maia na sua conta na rede social Twitter, felicitando o presidente eleito e, em nome da Câmara dos Deputados, estreitando "os laços de amizade e cooperação entre as duas nações".

Um muro que separa México e EUA

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O Presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, recusou reconhecer a anunciada vitória do candidato democrata Joe Biden nas presidenciais dos Estados Unidos.

"Sobre as eleições nos Estados Unidos, vamos aguardar que acabem de resolver todas as questões legais. Não queremos ser imprudentes, não queremos atuar de forma ligeira", disse López Obrador, que falava numa conferência de imprensa em Tabasco, sudeste do México.

A posição de López Obrador contrasta com a de outros mandatários do continente americano, incluindo Argentina, Costa Rica, Chile, Colômbia, Panamá e, inclusivamente, Venezuela, ou o vizinho do norte, o Canadá, cujo primeiro-ministro, Justin Trudeau, foi dos primeiros a felicitar Biden.

Da Rússia sem amor

A vitória de Joe Biden foi recebida com alguma preocupação pela classe política russa, depois de o candidato ter apontado Moscovo como a maior ameaça ao seu país durante a campanha.

O Kremlin ainda não felicitou o Presidente eleito dos Estados Unidos e provavelmente vai aguardar a certificação oficial dos resultados eleitorais, refere a agência EFE, ao realçar que a relação entre Moscovo e Washington não augura melhorias.

Se há quatro anos os parlamentares russos saudavam a chegada de Donald Trump à Casa Branca com um brinde, hoje o clima é completamente diferente. "Na campanha eleitoral, o democrata [Biden] apontou o nosso país como o maior inimigo dos Estados Unidos, por isso, dificilmente se pode esperar que um político russo aplauda os resultados das eleições americanas nesta ocasião", disse hoje o deputado russo Alexei Slutski, citado pela agência Interfax.

Médio oriente olha para Biden com esperança

No Médio Oriente, até o aliado principal de Trump, o governo israelita de Benjamim Netanyahu, se apressou a felicitar Joe Biden pela vitória eleitoral.

"Parabéns a Joe Biden e Kamala Harris. Joe, conhecemo-nos há quase 40 anos, a nossa relação é calorosa, e sei que és um grande amigo de Israel", escreveu Benjamin Netanyahu, na mensagem na rede social Twitter.

"Espero poder, convosco, aprofundar ainda mais a aliança especial que une os Estados Unidos e Israel", acrescentou Netanyahu, que antes tinha qualificado o atual Presidente norte-americano, Donald Trump, como o "melhor amigo que Israel alguma vez teve na Casa Branca".

Trump deixou uma marca em Israel, com o reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado hebreu, o apoio à colonização da Cisjordânia ocupada e à anexação dos montes Golã, bem como na normalização das relações entre Israel e os países árabes.

Do outro lado de Israel, os palestinianos o movimento islamita palestiniano Hamas reagiu ainda no sábado e pediu ao Presidente eleito dos Estados Unidos para "corrigir as políticas injustas" norte-americanas contra a Palestina e apelou à anulação do reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel.

"O povo palestiniano tem sofrido nas últimas décadas com o enviesamento das administrações norte-americanas a favor da ocupação [de Israel]" e o atual Presidente norte-americano, Donald Trump, e o seu Governo "foram os mais extremistas no apoio" ao Governo israelita "à custa dos direitos dos palestinianos", declarou, num comunicado, o chefe político do Hamas, Ismael Haniyeh, que governa em Gaza.

O Hamas, considerado grupo terrorista pelos Estados Unidos, Israel e União Europeia (UE), entre outros, pediu ainda a Biden que ponha termo ao conhecido como "Acordo do Século", o polémico plano de paz para o conflito israelo-árabe elaborado pela Administração Trump, que dava via aberta à anexação da Cisjordânia ocupada.

A Jihad Islâmica Palestiniana (JIP), outro grupo islamita com forte presença em Gaza, declarou não ter expectativas face as alterações políticas nos Estados Unidos, devido às "amargas experiências" sofridas pelos palestinianos com as anteriores administrações norte-americanas.

A Autoridade Nacional Palestiniana só este domingo reagiu ao anúncio da vitória de Biden. O presidente, Mahmoud Abbas, felicitou hoje Joe Biden pela vitória nas presidenciais dos EUA e apelou para que reforce as relações palestino-americanas, depois de Donald Trump ter tido uma política a favor de Israel.

"O presidente Abbas espera trabalhar com o presidente eleito Joe Biden e com a sua administração para reforçar as relações, a fim de garantir a liberdade, independência, justiça e dignidade do povo palestiniano", refere a Autoridade Palestiniana em comunicado.

Europa fala em "grande dia para a Europa"

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, falou "num grande dia para os Estados Unidos e a Europa" após o anúncio da vitória de Joe Biden nas eleições norte-americanas, destacando a "vontade de mudança" dos eleitores.

"Felicito calorosamente o presidente eleito, Joe Biden, e a vice-presidente, Kamala Harris. A afluência dos eleitores expressa a vontade de mudança do povo americano", escreveu o alto representante da UE para a Política Externa numa publicação na rede social Twitter.

"Esperamos trabalhar em conjunto com a nova administração para reconstruir a nossa parceria", adiantou o chefe da diplomacia europeia.

O primeiro-ministro, António Costa, disse esperar que a eleição de Joe Biden para Presidente dos Estados Unidos proporcione "uma nova oportunidade" para as relações transatlânticas, nomeadamente as bilaterais com Portugal.

"E para que possamos, em conjunto, trabalhar nos grandes desafios globais, o combate às alterações climáticas, a defesa da democracia, o progresso e a paz em todo o mundo", acrescentou António Costa, falando à imprensa no final do Conselho de Ministros extraordinário, que no sábado à noite adotou as medidas para o estado de emergência em vigor entre segunda-feira, dia 09, e 23 de novembro.

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