Eleições nos EUA

Os dois falam em vitória, mas ainda ninguém ganhou

Os dois falam em vitória, mas ainda ninguém ganhou

Tudo em aberto nas eleições presidenciais americanas. Corrida entre Trump e Biden vai decidir-se em cinco estados que o republicano ganhou há quatro anos: Arizona, Geórgia, Pensilvânia, Michigan e Wisconsin. Mas os resultados ainda vão demorar.

Não foi a noite com que os democratas contavam sonhar, isto é, uma enxurrada azul. Não, Joe Biden não ganhou a Florida, não ganhou o Ohio, não virou o Texas (a última vez que o estado da estrela solitária virou para os democratas foi em 1976, com Jimmy Carter, mas teve dois anos antes uma preciosa ajuda: Nixon resignara à presidência por causa da vergonha espionagem republicana em Watergate), nem a Carolina do Norte.

Em vez disso, da onda azul, a noite foi de miragem vermelha, ou seja uma sensação de que os republicanos vão à frente, porque os votos presenciais do dia são sempre mais vermelhos do que azuis. Mas esse horizonte, que ainda não inclui os votos por correio, mudará previsivelmente de cor.

Joe Biden falou às 5.40 horas (0.40 em Delaware) e disse duas coisas, que depois sublinhou: "tenham calma" e "vamos ganhar". E depois explicou: "A contagem dos votos por correspondência ainda vai demorar. Temos que ter paciência. Todos os votos têm que ser contados", disse o candidato democrata de 77 anos, que chegou ao púlpito de máscara cirúrgica, que depois tirou para falar. "Tenham paciência, mantenham a fé. Estou otimista. Vamos ganhar", concluiu antes de apontar três estados por onde passará a vitória presidencial: Pensilvânia, Michigan e Wisconsin.

No minuto a seguir, Trump, que tinha estado sossegado no Twitter - quase seis horas seguidas sem publicar, será um recorde? -, disparou duas publicações. A primeira dizia: "Também vou fazer uma declaração esta noite. Uma grande VITÓRIA" (o uso de capitulares é da exclusiva responsabilidade do usuário).

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A segunda publicação, depois de ter sido postada, foi logo tapada pela política restritiva de observação de verdade na rede social, que lhe meteu este aviso em cima: "Parte ou todo o conteúdo partilhado neste tweet é contestado e pode ser enganoso sobre uma eleição ou outro processo cívico". O tweet dizia: "Estamos a subir MUITO, mas eles estão a tentar ROUBAR a eleição. Nós nunca vamos deixá-los fazer isso. Os votos não podem ser contados após o encerramento das urnas!".

As contas fazem-se, agora - e o próprio Biden identificou-o bem - nesses três estados do "Upper Midwest": a Pensilvânia, o Wisconsin e o Michigan. Valem, juntos, 46 votos no Colégio Eleitoral.

A contagem dos votos, que não inclui ainda a parte dos votos por correspondência, apontava a liderança de Donald Trump em todos eles. Mas a segurança do anúncio de Biden deixa crer que há números que permitem aos democratas acreditar numa reviravolta. E o facto de Trump ter escolhido o preciso momento em que o adversário falava para reagir, no seu púlpito preferido, o Twitter, acusando os democratas de querer roubar a eleição, também pode ser um sinal. Antes de mais, é o cumprimento de uma promessa que vem de longe: o presidente afirmou vezes sem conta, sem prova disso, que o voto por correio é fraudulento e que o contestaria ou recusaria admiti-lo para lá da noite eleitoral.

A verdade é que, até ao momento, é impossível dizer o que aconteceu na América. Se as tendências verificadas a esta hora (sete da manhã em Portugal) se mantivessem, Trump contaria com perto de 300 votos no colégio eleitoral. Se os tais três estados que fazem Biden sorrir lhe couberem na sorte, serão menos 46 votos para os republicanos: ou seja, ficam abaixo dos 270 delegados de que precisam para serem declarados vencedores.

Sabia-se à partida que a votação destes três estados - e da Georgia (16 votos), em relação à qual Biden se disse esperançoso, e do Arizona, que pode também virar para o partido azul - não seriam conhecidos nesta noite eleitoral. No caso da Georgia e do Wisconsin, o fecho das contas é esperado durante o dia de hoje ou até de amanhã. Já no Michigan e na Pensilvânia (este sendo um dos maiores campos de batalha), prevê-se que demorem pelo menos até sexta-feira, porque só hoje ou amanhã se começam a contar em massa votos enviados pelo correio.

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