EUA

Os receios de uma tempestade perfeita não são exagerados

Os receios de uma tempestade perfeita não são exagerados

Voto por correio para as eleições presidenciais da próxima terça-feira afigura-se como base para uma disputa complexa entre candidaturas de Trump e Biden.

O voto antecipado, presencialmente ou por correio, é a "moda" nos EUA. Pandemia de covid-19 "oblige". Confirmam-no os cerca de 66 milhões - e o número vai continuar a crescer - de eleitores que já exerceram o direito a dizer de sua justiça nas eleições presidenciais da próxima terça-feira. O próprio chefe de Estado, o republicano Donald Trump, que enfrenta o democrata Joe Biden, fê-lo no passado sábado, numa biblioteca do estado da Flórida, onde tem morada fiscal. Tudo certo? Nem por isso. Além de, sempre que mexe os lábios, dizer que o voto postal, tradicionalmente mais favorável aos democratas, é meio caminho andado para a fraude, o atual locatário da Casa Branca vem agora opinar que o nome do vencedor do escrutínio deve ser anunciado na noite eleitoral, quando sabe perfeitamente que a contagem dos votos por correio demora sempre alguns dias.

De qualquer modo, mesmo que seja considerado praticamente imune a fraudes e tenha a vantagem de conferir mais flexibilidade aos eleitores, o sistema de voto postal apresenta um risco claro: o de que milhares ou mesmo milhões de votos sejam anulados por os eleitores não terem seguido corretamente as instruções de preenchimento do boletim, ou porque este não foi enviado ao conselho eleitoral atempadamente.

No entanto, apesar das críticas, Trump utilizou o sistema de voto postal em várias ocasiões, a mais recente das quais nas primárias deste ano.

Além disso, em 2017, o presidente, a primeira-dama, Melania, e a filha mais velha de Trump, Ivanka, foram notícia por terem preenchido de forma incorreta os boletins de voto por correio nas eleições autárquicas de Nova Iorque.

Na altura, Melania esqueceu-se de assinar o envelope, Ivanka enviou o voto fora do prazo e Trump preencheu de forma incorreta a própria data de nascimento. Escreveu 14 de julho de 1946 em vez de 14 de junho...

Democratas votam mais

Mas, na verdade, Trump tem motivos para preocupação com o voto antecipado em geral. Os "swing states" - estados oscilantes, que não têm preferência política previsível e que, por isso, são extremamente importantes no resultado final - concentram, até agora, metade da votação prévia. E, para já, Biden pode ir sonhando. Os democratas votaram mais do que os republicanos na Flórida e na Pensilvânia, territórios cruciais.

Além disso, segundo o jornal "The New York Times", os estados onde Biden deverá vencer já registaram à volta de 24 milhões de votos antecipados, por contraponto aos 9,2 milhões dos estados Trump.

Colorado, Hawai, Oregon, Washington (estado) e Utah recorrem quase em exclusivo ao voto por correspondência. O que vai o presidente fazer deles?

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