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Presidenciais norte-americanas? Ganhar. Seja como for, dê por onde der

Presidenciais norte-americanas? Ganhar. Seja como for, dê por onde der

Responsáveis pelas campanhas eleitorais não hesitam em utilizar estratagemas menos claros.

Há alguns dias, a equipa responsável pela campanha do presidente dos EUA, o republicano Donald Trump - que luta com o democrata Joe Biden pela vitória nas eleições de 3 de novembro -, divulgou um vídeo em que Anthony Fauci, diretor do Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas e um dos mais reputados especialistas norte-americanos, surgia a felicitar o chefe de Estado pela gestão da pandemia de covid-19. Isto no país onde há mais infetados e mais óbitos devido à doença. Viria a verificar-se, e sem grande dificuldade, que o vídeo era um embuste. Mais um episódio na longa série de truques sujos de que se faz a história política norte-americana.

Num anúncio de campanha de 30 segundos, declarava-se que "o presidente Trump está a recuperar do novo coronavírus e a América também", antes de ser reproduzido um "clip" de Fauci durante uma entrevista do epidemiologista ao canal Fox News... em março.

A afirmação completa de Fauci na conversa é: "Tenho-me dedicado quase todo o tempo a isso [pandemia]. Estou na Casa Branca praticamente todos os dias, durante todo o dia, com a equipa. Por isso, não consigo imaginar quaisquer circunstâncias em que alguém pudesse estar a fazer mais".

Ou seja, conforme o especialista se veria obrigado a salientar depois, as palavras eram sobre ele e os funcionários federais de saúde pública. Não tinham rigorosamente nada a ver com Trump. "Em quase cinco décadas de serviço público, nunca apoiei publicamente qualquer candidato."

Entretanto, já se chegou ao requinte de declarar fraudulentos escrutínios que ainda não se realizaram. E, de novo, os republicanos dão lições. Devido à pandemia, um número recorde de norte-americanos planeiam recorrer ao voto pelo correio. Segundo uma sondagem conjunta do jornal "TheWashington Post" e da Universidade de Maryland, 60% dos eleitores preferem o método postal, levado a cabo antes do dia 3. Aquela percentagem inclui quase 73% de democratas.

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Além disso, nove estados vão utilizar apenas o correio.

Em eleições anteriores, o voto postal tendeu a favorecer os democratas. Ora, as sondagens mostram que os apoiantes de Trump tencionam votar presencialmente.

Um clássico: a suspeição

Assim, o atual presidente tem vindo a lançar suspeitas de fraude sobre o método postal e a sua equipa de campanha já avançou com processos aos estados do Iowa, Montana, Nevada, de New Jersey e da Pensilvânia devido a procedimentos relativos ao voto por correio.

Por outro lado, a superioridade democrata nas intenções de voto postal sugere que, em mais de uma dúzia de "swing states" - estados sem uma preferência política definida -, os números da noite eleitoral podem não indicar o vencedor final. Nesse sentido, duas das hipóteses apontadas é que Trump possa lançar dúvidas sobre os resultados, dado que a contagem relativa aos votos por correio é mais demorada do que a do presencial, ou que se declare vencedor logo na noite de eleição.

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