Reino Unido

Caos e confrontos na fronteira após reabertura do canal da Mancha

Caos e confrontos na fronteira após reabertura do canal da Mancha

A reabertura do Canal da Mancha, 48 horas depois de ser fechado devido ao aparecimento de uma nova estirpe do coronavírus, causou o caos na fronteira franco-britânica, devido à escassez de testes à covid-19 exigidos por França.

Os principais focos de tensão foram vividos do lado britânico, onde, há três dias, se aglomeram milhares de camionistas, que viram com frustração o anúncio da abertura da fronteira não surtir efeito, já que as pessoas não tinham resultados imediatos dos testes.

Do lado francês, onde há menos camiões, o tráfego de ferries sofreu várias perturbações. O primeiro ferry para Calais, no norte da França, saiu pouco depois da meia-noite, quando se tornou efetivo o restabelecimento das ligações com o Reino Unido, desde que os viajantes apresentem um teste que prove não estarem infetados com covid-19, teste esse que tem de ser sensível também à nova estirpe do coronavírus, detetada em território britânico.

A autorização de passagem destina-se, no entanto, apenas a cidadãos do espaço europeu ou residentes em França, pessoas em trânsito, transportadores e pessoal relacionado com o tráfego de mercadorias e cidadãos de outros países que estejam a regressar às suas casas.

Os primeiros camiões chegaram a Calais por volta das 3.30 horas locais (2.30 horas em Lisboa), enquanto o tráfego ferroviário só começou cerca das 7 horas (mesma hora em Lisboa).

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O tráfego ferroviário de passageiros, com destino a Paris, mas também à Bélgica e aos Países Baixos, também foi retomado durante a noite, embora algumas ligações tenham sido suspensas pela empresa e muitos viajantes tenham tido de cancelar os seus bilhetes por ainda não terem resultados dos testes à covid-19.

Segundo avançaram as autoridades do norte de França à agência de notícias espanhola Efe, o tráfego nas estradas estava fluído esta quarta-feira de manhã, apesar da chegada dos primeiros camiões.

Dada a confusão registada no outro lado do Canal da Mancha, os ferries que saíram de Calais para Dover acabaram por também ficar imobilizados durante algumas horas, informou o jornal regional La Voix du Nord.

Para amenizar a situação e agilizar os testes médicos, o Exército britânico juntou-se ao corpo médico do país, tendo o ministério dos Transportes britânico informado estarem mais de cinco mil camiões estacionados perto de Dover, onde os testes começaram a ser feitos.

"Pedimos aos camionistas que não viajem para Kent até novo aviso, enquanto trabalhamos para diminuir o congestionamento nos portos. Os testes já começaram", disse o ministério em comunicado.

O ministro das Comunidades, Robert Jenrick, admitiu à Sky News que a resolução do congestionamento em Dover pode levar "vários dias", já que há camionistas na estrada, nos estacionamentos e em zonas de repouso local.

Alguns camionistas detidos em Dover envolveram-se esta quarta-feira em confrontos com a polícia, depois de muitos terem sido forçados a passar três noites nos seus veículos e sem acesso a instalações sanitárias.

Nesta altura do ano, é frequente cruzarem a ligação entre Dover, em Inglaterra, e Calais, em França, cerca de 10 mil camiões por dia, para transportar alimentos frescos e outras mercadorias para as festas de Natal.

Os supermercados, por seu lado, admitem já sentir escassez de alguns alimentos frescos, como frutas, devido à situação criada no principal ponto de transporte de mercadorias.

As autoridades britânicas alertaram, no passado sábado, a Organização Mundial da Saúde sobre a descoberta de uma nova variante do SARS-CoV-2, que é mais facilmente transmissível, embora não haja provas de que seja mais letal ou que possa ter impacto na eficácia das vacinas desenvolvidas.

Cerca de 50 países suspenderam a entrada de viajantes do Reino Unido desde domingo, após a descoberta da nova estirpe do coronavírus em território britânico.

As restrições, que foram esta quarta-feira amenizadas por três países vizinhos, incluindo a França, estendem-se, em alguns casos, a outras zonas onde a mutação do vírus foi detetada, como a África do Sul e a Dinamarca.

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