Itália

Caos no Movimento 5 Estrelas, principal força no parlamento italiano

Caos no Movimento 5 Estrelas, principal força no parlamento italiano

O Movimento 5 Estrelas (M5S), a principal força no parlamento italiano e membro da coligação de Governo liderada por Mario Draghi, encontra-se em convulsão interna após uma decisão judicial que decapitou a sua equipa dirigente.

Na sequência de uma queixa de vários simpatizantes do M5S excluídos de uma votação interna, um tribunal de Nápoles, no sul de Itália, anulou na segunda-feira o novo estatuto do movimento e a eleição para a sua liderança, em agosto passado, do ex-primeiro-ministro Giuseppe Conte. "A situação é muito complicada (...) Convido todos a manterem-se em silêncio", escreveu na sua conta da rede social Facebook o fundador do M5S, Beppe Grillo.

O seu movimento, o principal grupo parlamentar desde as legislativas de 2018, dividiu-se nos últimos anos em diferentes fações, em simultâneo com uma queda vertiginosa nas sondagens. Após ter obtido 32% dos votos em 2018, as sondagens já só lhe atribuíam cerca de 15% das intenções de voto no início de fevereiro, segundo uma média calculada pelo instituto YouTrend.

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"Esta crise é uma crise anunciada, esperada", sustentou o analista Piergiorgio Corbetta, professor na Universidade de Bolonha e especialista no M5S, citado pela agência noticiosa francesa AFP.

Movimento atípico pela sua organização e a sua ideologia, nem de direita nem de esquerda, o M5S queria afirmar-se como uma solução alternativa aos partidos tradicionais e construiu desde 2009 a sua popularidade com base numa atitude antissistema. A atual crise resulta de uma "contradição interna", entre as origens anti-institucionais do movimento, que tinha prometido "abrir o parlamento como uma lata de atum", e a sua pertença ao Governo, "que o transformou numa elite", considerou o analista.

Esta peripécia interna não deverá, contudo, pôr em perigo o Governo de Mario Draghi, porque "os partidos não estão preparados para legislativas", como demonstra a recente reeleição de Sergio Mattarella para o cargo de Presidente da República e a manutenção de Draghi na chefia do executivo. "Toda a gente tem medo de afetar esse frágil equilíbrio que assenta num castelo de cartas", concluiu Corbetta.

Uma opinião partilhada por Gianfranco Pasquino, professor de Ciência Política na Universidade de Bolonha: "O perigo existe, mas é muito reduzido. Esta crise não vai desestabilizar o Governo". "O facto é que o M5S continua dividido, mas isso não constitui uma causa suficiente para fazer cair o Governo", considerou.

Há três dias, antes da decisão do tribunal de Nápoles, a luta pela liderança entre os dois homens fortes do M5S, Giuseppe Conte e o atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Luigi di Maio, explodiu em plena luz do dia, com o segundo a demitir-se de uma comissão dirigente do M5S para recuperar a sua liberdade de discurso.

Conte e Di Maio opuseram-se violentamente nas últimas semanas, por ocasião da eleição do chefe de estado, após o fracasso da candidatura da diplomata Elisabetta Bettoni, proposta por Giuseppe Conte.

A decisão do tribunal de Nápoles "surge num momento em que o controlo do senhor Conte se tornou politicamente menos sólido", escreveu hoje o diário de Turim, La Stampa.

"Quanto mais próxima a data das legislativas (agendadas para 2023) e, com ela, a da criação das listas (dos futuros candidatos), mais aumenta a incerteza dos parlamentares em relação ao seu futuro e mais o consenso em torno do senhor Conte se esboroa".

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