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Casas incendiadas junto a Palma: "Pensamos que foi por vingança"

Casas incendiadas junto a Palma: "Pensamos que foi por vingança"

Várias casas junto à vila de Palma, no norte de Moçambique, foram incendiadas na noite de terça-feira. Mas as Forças Armadas moçambicanas mantêm o controlo da sede de distrito.

"O que tivemos foram algumas casas incendiadas na terça-feira nos arredores de Palma por dois supostos insurgentes", disse esta quinta-feira Chongo Vidigal, porta-voz das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), a partir de Afungi, cerca de seis quilómetros a sul da vila, junto às instalações do projeto de gás do norte de Moçambique e junto à aldeia de Quitunda, recém-criada pelos investidores.

"Pensamos que foi por vingança contra membros da população que os insurgentes acham que colaboram com as Forças de Defesa e Segurança", declarou Vidigal, que falou à agência Lusa depois de duas fontes na vila terem relatado a presença de desconhecidos que têm atacado pessoas e destruído propriedades desde a noite de terça-feira.

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O porta-voz confirmou a existência de fogo posto em algumas casas e reiterou: "A informação verdadeira é que Palma está completamente sob domínio das Forças de Defesa e Segurança, a vila está totalmente protegida".

Vidigal reconheceu ainda o receio da maioria da população de Palma em voltar à vila, porque "as estruturas administrativas" ainda não se reinstalaram, após a fuga em massa provocada pelos ataques de 24 de março. "É como numa casa: se o chefe de família não volta, os outros elementos do agregado familiar ficam receosos", declarou o porta-voz.

714 mil deslocados e 2500 mortos

Grupos armados aterrorizam Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo autoproclamado Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2500 mortes e 714 mil deslocados, de acordo com o Governo moçambicano.

O mais recente ataque ocorreu em 24 de março contra a vila de Palma, provocando dezenas de mortos e feridos, num balanço ainda em curso.

As autoridades moçambicanas recuperaram o controlo da vila, mas o ataque levou a petrolífera Total a abandonar por tempo indeterminado o recinto do projeto de gás com início de produção previsto para 2024, avaliado em 20 mil milhões de euros, e no qual estão ancoradas muitas das expectativas de crescimento económico de Moçambique na próxima década.

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