Política

Caso Navalny: União Europeia vai impor mais sanções à Rússia

Caso Navalny: União Europeia vai impor mais sanções à Rússia

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, anunciou esta segunda-feira que os chefes de diplomacia da União Europeia (UE) chegaram a um "acordo político" para impor novas sanções a responsáveis pelo julgamento e detenção do opositor russo, Alexei Navalny.

"Tomámos uma decisão, demos acordo político a que se inicie um processo de sanções a personalidades russas, a designar nos canais próprios, que têm responsabilidades nas recentes violações dos direitos humanos, em particular ligadas à condenação do opositor russo, Alexei Navalny e também às restrições às liberdades fundamentais, designadamente à liberdade de manifestação e ao direito ao protesto, exercido, aliás, por dezenas e dezenas de milhares de cidadãos russos", disse Augusto Santos Silva em conferência de imprensa após a cimeira que reuniu o conjunto dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.

Santos Silva anunciou ainda que cabe agora ao Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Josep Borrell, fazer uma proposta relativa aos indivíduos a serem introduzidos na lista de sanções, mas informou que será o primeiro caso de aplicação de sanções no quadro do regime que pune violações de direitos humanos, e que tinha sido aprovado pelos chefes da diplomacia europeia em 7 de dezembro de 2020.

Frisando ainda que os chefes da diplomacia europeia tiveram uma discussão "muito aprofundada" e "muito útil" sobre o relacionamento entre a UE e a Rússia, Santos Silva sublinhou que os ministros não têm "ilusões" sobre o "estado atual das relações" entre os dois parceiros.

"Manifestamente, a Rússia está numa atitude muito agressiva para com a UE e o relacionamento entre os dois blocos está num dos pontos mais baixos de sempre", frisou.

No entanto, Santos Silva referiu que isso não impede que a UE não se mantenha "interessada" em "comunicar com a Rússia", nomeadamente "em matérias de interesse comum", nas quais a colaboração com Moscovo é "indispensável", tendo o chefe da diplomacia português enumerado a "não proliferação" e o "controlo de armamento".

Santos Silva abordou ainda a visita de Josep Borrell a Moscovo, entre 04 e 06 de fevereiro, que tinha sido alvo de muitas críticas e que o próprio Borrell qualificou de "muito complicada".

PUB

Salientando que o Conselho dos Negócios Estrangeiros "apoiou o Alto Representante", o ministro dos Negócios Estrangeiros referiu também que "não houve críticas ao facto de ele ter visitado Moscovo a convite das autoridades russas".

"O que, aliás, não surpreende porque nós discutimos antes da realização dessa visita e fomos genericamente da opinião que ela devia realizar-se e digamos que o encargo que o Alto Representante tinha para essa visita -- designadamente o de colocar todas as questões relativas à prisão e depois à condenação e perseguição judicial de Alexei Navalny -- esse encargo foi plenamente cumprido pelo Alto Representante", adiantou.

Além do acordo político alcançado esta segunda-feira para a adoção de sanções contra responsáveis russos, o envenenamento do opositor russo Alexei Navalny já tinha motivado a introdução de medidas restritivas em outubro de 2020.

Na altura, seis indivíduos e uma entidade que estavam "envolvidos na tentativa de homicídio" tinham sido sancionados, ficando proibidos de viajar para a Europa e tendo os seus bens congelados no espaço europeu.

Este fim de semana, numa entrevista ao jornal alemão Die Welt, o representante da Rússia junto da UE, Vladimir Chizhov, referiu que o país estava "pronto para responder" caso o bloco optasse por impor novas sanções.

"Não vou especular sobre se os nossos parceiros irão adotar outra ronda de medidas restritivas unilaterais e ilegítimas contra o meu país. Quando e se isso acontecer, estaremos prontos para responder", garantiu Chizhov.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG