O Jogo ao Vivo

Espanha

Catalães temem prolongamento do impasse político após eleições

Catalães temem prolongamento do impasse político após eleições

Catalães ouvidos hoje pela Lusa admitiram temer que o impasse político que se vive na região desde o referendo de outubro possa prolongar-se após as eleições de quinta-feira, prejudicando a economia, já afetada pelo processo independentista.

"Receio uma reação ainda mais agressiva de Madrid contra a Catalunha", disse à agência Lusa Francesc Fàbregues, que gostaria de ver Carles Puigdemont novamente à frente do governo regional.

Para este empregado de escritório, "as coisas estão iguais" à situação política anterior: há uma maioria parlamentar independentista e uma maioria de pessoas a querer a realização de um referendo sobre a autodeterminação da Catalunha que Madrid e a Constituição espanhola recusa.

O chefe do executivo espanhol, Mariano Rajoy, "não tem alternativa e vai ter de aceitar a maioria independentista e o fim do 155 [intervenção de Madrid], visto ter sido ele a convocar as eleições", defendeu.

Os partidos constitucionalistas foram os mais votados nas eleições para o parlamento regional de quinta-feira, mas o sistema eleitoral que dá mais peso parlamentar às províncias mais independentistas permitiu ao bloco separatista ter uma maioria absoluta de deputados regionais: 70 num total de 135.

"Espero que o Cidadãos [partido unionista, o mais votado] não consiga formar governo", declarou Ariadna Puig, convencida de que, se isso acontecer, "haverá muita repressão, porque se trata de um partido de extrema-direita, apesar de se apresentar a nível nacional como de direita liberal".

A professora do ensino primário considera que a situação é "complicada" e espera que não haja eleições daqui a uns meses: "as pessoas estão fartas de eleições e querem estabilidade que traga crescimento à economia", disse.

A campanha eleitoral ficou marcada pela ausência de vários candidatos agora eleitos, suspeitos de delitos de rebelião, sedição e peculato: uns detidos preventivamente, como o vice-presidente do governo regional anterior, Oriol Junqueras, outros refugiados na Bélgica, como o ex-presidente do Governo regional, Carles Puigdemont.

"Puigdemont deveria voltar, porque a maioria independentista foi renovada e o 'Juntos pela Catalunha' o partido mais votado" do bloco separatista, sustenta Mavi Caro, acrescentando que isso vai ser difícil porque se regressar será preso.

Esta proprietária de um estabelecimento comercial na conhecida Rambla de Barcelona estava "chocada" por a líder do Cidadãos, Inês Arrimadas, no seu discurso de vitória em Barcelona na noite de quinta-feira, apenas ter falado em castelhano: "Ela não é catalã, mas fala a língua, mas preferiu a arrogância espanhola. Não aprendeu nada", lamentou Mavi Caro.

"Não estou satisfeito porque, mesmo sendo o Cidadãos a primeira força política na Catalunha, os separatistas ganharam", afirmou Marcos Vasquez, a única pessoa assumidamente defensora da unidade de Espanha com quem a Lusa conversou.

Para este bancário, "infelizmente, vão ter de se realizar novamente eleições, porque a situação está totalmente bloqueada".

Os partidos separatistas já tinham ganho as eleições anteriores, em 2015, com 72 deputados num total de 135, o que lhes permitiu formar um governo que organizou um referendo de autodeterminação em 01 de outubro último, que foi considerado ilegal pelo Estado espanhol.

As eleições de quinta-feira foram convocadas por Mariano Rajoy em 27 de outubro passado, no mesmo dia em que decidiu dissolver o parlamento da Catalunha e destituir o executivo regional.

Desde o início de outubro houve uma redução significativa de turistas e investimento estrangeiro na região mais rica e mais visitada de Espanha, tendo mais de 3.000 empresas mudado a sua sede social para outras comunidades autónomas espanholas.

*enviado da agência Lusa

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG