Catalunha

Catalunha mede força de vontade de independência

Catalunha mede força de vontade de independência

5,4 milhões de catalães são, este domingo, chamados a participar na consulta popular convocada por Artur Mas. Sem carácter oficial, o "processo participativo" servirá sobretudo para medir a força do independentismo catalão.

A partir das 9.00 horas da manhã, estarão abertas em toda a Catalunha 1255 escolas com 6430 urnas, onde os catalães poderão depositar a resposta à dupla pergunta: "Quer que a Catalunha seja um Estado?" e, em caso afirmativo, "quer que esse Estado seja independente?". Mais de 40 mil voluntários estão mobilizados.

As incertezas mantêm-se, no entanto, até ao último minuto: ontem, a imprensa espanhola revelou que a procuradoria de Barcelona, dependente da justiça nacional, está a investigar se a utilização de locais públicos para a celebração da consulta é um delito. Fontes judiciais eram ontem citadas colocando dúvidas sobre se as forças de segurança receberão instruções da justiça para que fechem, hoje, os locais de voto.

Artur Mas tentou tranquilizar os autarcas catalães, dizendo que "nada devem temer", mas há dúvidas sobre se quem der instruções para a abertura das escolas para que o voto se realize poderá ser acusado de vários delitos, incluindo desobediência e prevaricação.

"Para a consulta ser bem sucedida, teriam que votar pelo menos 2,5 milhões de pessoas", entende Xavier Domènech, professor de História na Universidade Autónoma de Barcelona. "Isso obrigaria Madrid a dialogar com a Catalunha", explica ao JN.

De resto, a crónica dificuldade de chegar a acordos com o Governo central espanhol é, para o historiador, o principal fator na base do exacerbar do sentimento independentista catalão: "Para a maioria dos catalães, se houvesse uma possibilidade de mudança real em Espanha, a independência não seria necessária".

O confronto com o Estado central tem vindo, na verdade, a intensificar-se nos últimos anos, desde o "potente projeto de nacionalização espanhola" de José María Aznar, à atual recusa de Rajoy em dialogar e à revisão do pacto fiscal, passando pelo chumbo do Estatuto da Catalunha.

Tudo isto, regado com um contexto de crise económica, fez com que muitos catalães voltassem a encarar a separação de Espanha como "a única forma de recuperar o controlo da sua própria política", conclui o historiador.

E depois da votação?

Uma vez que a consulta não é vinculativa, um dos cenários possíveis é a convocação de eleições plebiscitárias num prazo de três meses. Se saírem vencedores, os partidos nacionalistas poderão unir-se e fazer uma declaração unilateral de independência, uma iniciativa "mais simbólica do que real", opina Xavier Domènech. Mas, diz, "o movimento independentista não vai desaparecer".