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Mais de 800 detidos em operação global contra máfias que usou app para espiar criminosos

Mais de 800 detidos em operação global contra máfias que usou app para espiar criminosos

Uma megaoperação internacional contra o crime organizado culminou na detenção de mais de 800 suspeitos e na apreensão de milhões de euros e bens, a maioria na Austrália. Uma aplicação desenhada pelo FBI que se infiltrou em comunicações entre criminosos foi essencial.

A operação contra o crime organizado, que durava há três anos, culminou em "mais de 800 detenções, 700 buscas e oito toneladas de cocaína apreendidas" em todo o mundo, "com resultados impressionantes", anunciou o diretor adjunto da Europol, Jean-Philippe Lecoufe, em conferência de imprensa. De acordo com a BBC, a investida global teve lugar em 18 países da Europa, Ásia, América do Norte, América do Sul e Médio Oriente. Para o sucesso da investigação, foi fundamental o recurso a uma aplicação criada pelo FBI e usada desde 2018 para rastrear gangues criminosos.

A Operação Ironside, que envolveu nove mil agentes (quatro mil só na Austrália), foi descrita pelo primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, como um "golpe pesado contra o crime organizado" no país, onde foram detidas cerca de 224 pessoas e encerrados seis laboratórios clandestinos em 525 buscas, que "ecoará por todo o mundo". Os detidos são suspeitos de integrarem gangues de motociclistas, as máfias australiana e asiática e "grupos de crime grave e organizado", revelou, em conferência de imprensa, o comissário da Polícia Federal Australiana, Reece Kershaw, recordando que o mercado ilegal australiano é atrativo por causa do elevado preço das drogas - os suspeitos agora detidos terão traficado produto estupefaciente para o país "à escala industrial". Desde 2018 até agora, as autoridades australianas apreenderam um total de 3,7 toneladas de drogas, 104 armas de fogo e cerca de 45 milhões de dólares australianos (28,65 milhões de euros).

Do lado neozelandês, a Polícia descreveu a operação como "a mais sofisticada do mundo contra o crime organizado" e confirmou a detenção de 35 suspeitos de crimes no país, bem como a apreensão de milhões de euros, drogas, automóveis e barcos.

Aplicação do FBI espiou criminosos

Na base do sucesso da megaoperação global, esteve a utilização da aplicação AN0M, um serviço de mensagens popular entre gangues do crime organizado, que foi projetado pela agência federal de investigação norte-americana para aceder a comunicações encriptadas (conversas secretas que só podem ser lidas por quem possua a chave para descodificar os dados) utilizadas exclusivamente por esses grupos.

Segundo as Polícias da Nova Zelândia e Austrália, o FBI começou a operar a sua própria aplicação de mensagens encriptadas depois de ter desmantelado dois outros serviços de criptografia. Seguiu-se a distribuição de dispositivos com essa plataforma pelo submundo do crime, permitindo o acesso a milhões de mensagens em "tempo real" descrevendo enredos de homicídios, planos de tráfico de droga e distribuição de armas. "Eles só falavam sobre drogas, violência, confrontos, pessoas inocentes que iam ser assassinadas, uma série de coisas", detalhou Kershaw, acrescentando que, no caso australiano, o recurso do FBI permitiu evitar tiroteios em massa.

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Os dispositivos foram inicialmente usados por criminosos seniores, que, inadvertidamente, deram aos outros a confiança para usarem o serviço. Um deles foi o traficante australiano Hakan Ayik, descrito como um ponto chave no esquema do FBI, que recomendou a aplicação depois de ter recebido um aparelho de agentes disfarçados. "Era preciso conhecer um criminoso para conseguir um desses telemóveis personalizados, que não tocavam nem enviavam e-mails. Só se podia comunicar na plataforma", explicou a Polícia australiana.

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