O Jogo ao Vivo

Cruz Vermelha

Centenas de milhões de pessoas correm risco de "níveis críticos de fome"

Centenas de milhões de pessoas correm risco de "níveis críticos de fome"

Centenas de milhões de pessoas correm risco de sofrer "níveis críticos de fome" nos próximos meses devido ao aumento da insegurança alimentar em África e no Médio Oriente, agravada pela guerra na Ucrânia, alertou, esta terça-feira, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

"É possível que nas próximas semanas apareçam mais imagens de crianças em estado de desnutrição", disse o CICV em comunicado, reiterando que o conflito no leste da Europa contribuiu para agravar o aumento global dos preços dos combustíveis, dos fertilizantes e dos alimentos.

Isto afeta especialmente regiões vulneráveis como África, onde 85% do trigo que se consome é importado, sobretudo em países em guerra ou com situações de instabilidade como o Mali, a Etiópia ou a Somália, explicou a Cruz Vermelha.

PUB

O CICV exemplifica que na Somália, que obtinha 90% do seu trigo da Rússia e da Ucrânia, o número de crianças menores de cinco anos com malnutrição aguda aumentou 50% face ao ano passado e muitas famílias foram obrigadas a retirar os filhos da escola.

"Os conflitos armados, a instabilidade política, os choques climáticos e os impactos secundários da pandemia de covid-19 diminuíram as capacidades de lidar e recuperar das perturbações. Os efeitos colaterais do conflito na Ucrânia pioraram uma situação já de si crítica", disse o diretor geral do CICV, Robert Mardini, citado no comunicado.

Perante esta situação, a Cruz Vermelha apela às partes envolvidas em conflitos para que protejam os cultivos, fado e pontos de acesso a água e que facilitem o acesso da ajuda humanitária.

Reconhecendo a generosidade da comunidade internacional perante a crise na Ucrânia, o CICV manifesta preocupação por estar a assistir a uma queda do financiamento para cobrir as suas necessidades globais, alertando que "áreas importantes" do seu trabalho estão atualmente "severamente subfinanciadas".

"Continuamos comprometidos em responder a estas emergências, mas os humanitários sozinhos não conseguem lidar com elas. Nós - a comunidade internacional - precisamos de redobrar coletivamente os nossos esforços", disse Mardini.

A Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), das Nações Unidas, estima em 346 milhões o número de pessoas em África que enfrentam insegurança alimentar severa, o que significa que um quarto da população do continente não tem o suficiente para comer.

Segundo o Programa Alimentar Mundial (PAM), também da ONU, o número de pessoas em insegurança alimentar deverá aumentar em 47 milhões este ano, para um total global de 811 milhões.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG