Eleições

"Centrão" perde controlo do Parlamento Europeu e deixa subir extrema-direita

"Centrão" perde controlo do Parlamento Europeu e deixa subir extrema-direita

O Partido Popular Europeu (PPE) e o grupo Socialistas e Democratas (S&D) poderão descer significativamente nas eleições europeias de 23 a 26 de maio, perdendo o controlo do Parlamento Europeu (PE), cuja correlação de forças deverá ser alterada com a subida da extrema-direita e dos liberais e democratas.

Juntos, o PPE, que terá 26% (183 deputados), descendo três pontos percentuais, segundo uma projeção publicada ontem pelo próprio PE, e o S&D (19%, ou seja, 135 eleitos, descendo seis pontos) deverão somar apenas 41% dos 705 eurodeputados, longe da maioria necessária ao "centrão" europeu.

Para a assegurar, os dois grupos parlamentares, que integram os portugueses PSD e CDS, no caso do PPE, e o PS, na bancada socialista, poderão ter de contar com a Aliança dos Liberais e Democratas da Europa (ALDE). Esta sobe 1,5 pontos e passa a ser o terceiro, com 75 eleitos (11%), a menos que a sua composição se altere.

No mandato prestes a terminar, estão na ALDE o partido presidencial francês A República em Marcha (LRM), cuja permanência está em dúvida até pela proximidade de Emmanuel Macron com a chanceler alemã Angela Merkel, e formações como as espanholas Ciudadanos e Partido Nacionalista Basco.

De acordo com a projeção, Espanha contribui com quatro dos sete novos eleitos para reforçar aquela bancada, a República Checa com outros tantos e Alemanha com sete. A ALDE deverá contar com 18 delegações nacionais, perdendo três.

Aspirando a quarta bancada e com a maior subida em números absolutos (mais 22 eleitos), está o grupo de extrema-direita Europa das Nações e das Liberdades (ENF), que junta partidos como a francesa União Nacional, de Marine Le Pen, e a italiana Liga, de Matteo Salvini.

Devendo passar de 37 para 59 deputados de seis nacionalidades (8% do hemiciclo, mais 3,5 pontos que em 2014), a ENF reforça-se com a Liga (mais 21, de seis para 27 deputados) e com a ex-Frente Nacional (de 15 para 21), ao passo que a Polónia perde dois e a Alemanha um, ficando assim reduzida a seis estados-membros.

AfD e M5S reforçam

O grupo Europa da Liberdade e da Democracia Direta (EFDD), no qual pontifica o populista italiano Movimento 5 Estrelas (M5S), é o terceiro que sobe (+0,5 pontos), consolidando-se com 43 eleitos (mais dois), compensando a saída dos britânicos por causa do Brexit, graças às subidas da Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita, de um para 12 deputados, e do M5S, de Luigi di Maio, de 14 para 22 lugares.

Note-se que há um conjunto de novas formações de Direita e extrema-direita ainda não consideradas na projeção senão como "outros", mas que devem contar para a expressão da deriva. Será o caso do Vox espanhol, que poderá eleger seis eurodeputados.

Embora faça praticamente o pleno da geografia da União Europeia a 27 países (só a Estónia não a integra), a bancada socialista é a que sofre a maior erosão: perde 51 deputados, com contribuições especialmente negativas de Itália (menos 16), Alemanha (-12) e França (-7).

O segundo maior recuo é do PPE, que perde 34 eleitos e deixa mesmo de ter delegações de quatro países (além do Reino Unido). Embora a Grécia aumente em quatro deputados, a França perde nove, a República Checa sete, Itália e Alemanha cinco cada e a Eslováquia e a Letónia quatro cada.

PS ganha um eleito

O Partido Socialista deverá obter mais um eurodeputado, passando de oito para nove, se a projeção do Parlamento Europeu acertar, contrariando a descida do grupo Socialistas e Democratas. O novo eleito tira o lugar ao do Partido Democrático Renovador, que integra a Aliança de Liberais e Democratas pela Europa.

Direita aguenta

Para os representantes portugueses no Partido Popular Europeu, oito no mandato cessante (sete do PSD e um do CDS-PP), a projeção prevê a manutenção, contrariando a descida do PPE a nível europeu.

Esquerda segura

A Esquerda portuguesa - agora com três do PCP e um do BE - deverá manter os quatro eurodeputados no Grupo Confederal Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica, que perde eleitos.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG