Pandemia

Chanceler alemã condena assassínio de jovem por pedir uso de máscara numa bomba de gasolina

Chanceler alemã condena assassínio de jovem por pedir uso de máscara numa bomba de gasolina

A chanceler alemã, Angela Merkel, condenou o assassínio "horrível" do funcionário de uma bomba de gasolina por um cliente que se recusou a usar uma máscara facial, disse esta quarta-feira a sua porta-voz, Ulrike Demmer.

"O Governo condena fortemente este assassínio", disse a porta-voz numa conferência de imprensa, denunciando que esta "violência deixa sem palavras" qualquer pessoa.

O crime, ocorrido no sábado na cidade de Idar-Oberstein, na zona oeste do país, foi divulgado apenas na terça-feira e causou comoção na Alemanha.

O assassínio do funcionário da bomba de gasolina, um estudante de 20 anos, terá ocorrido após este se ter recusado a atender um cliente que queria comprar uma grade de cervejas, mas não usava máscara contra a covid-19.

O suspeito do crime saiu muito enervado do local, mas voltou posteriormente e desta vez a usar uma máscara.

Entretanto, o cliente tirou a máscara quando se dirigiu ao funcionário e, depois de receber novamente a ordem para usar a máscara corretamente, tirou uma arma do bolso e atirou no estudante, que morreu instantaneamente, segundo a polícia.

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O procurador Kai Fuhrmann disse, na segunda-feira, que o autor dos tiros, de 49 anos, apresentou-se na esquadra local no domingo.

O grupo intitulado "Pensadores Livres (Querdenker)", um movimento radicalmente oposto às medidas de combate da pandemia na Alemanha, celebrou pela internet o ataque mortal.

"O facto por si só já é insuportável", mas além disso foi utilizado nas redes sociais como forma de "tentar dividir a nossa sociedade, para incitar o ódio e a difamação, apelando à violência", disse a porta-voz.

Um porta-voz do Ministério do Interior da Alemanha sublinhou, na mesma conferência de imprensa, que o assassínio parece ter sido um "caso isolado" e que o movimento dos opositores às medidas de combate ao SARS-CoV-2 perdeu força com a flexibilização das restrições impostas na Alemanha.

O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, declarou esta quarta-feira, em conferência de imprensa, que é necessário "dizer não de forma clara e decidida a qualquer forma de extremismo ligado à pandemia".

"O ódio e o assédio dessas pessoas incorrigíveis dividem a nossa comunidade e matam pessoas. Eles não têm lugar na nossa sociedade", declarou, na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas.

Os serviços de informação da Alemanha anunciaram em abril que estavam a colocar membros do 'Querdenker' sob vigilância, suspeitando que tivessem ligações com o extremismo de direita.

Este tipo de grupos reúnem integrantes da extrema-esquerda, seguidores de teorias da conspiração, grupos anti-vacina, bem como partidários da extrema-direita.

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