Paris

Charlie Hebdo manifesta solidariedade "às pessoas afetadas" pelo ataque junto à antiga redação

Charlie Hebdo manifesta solidariedade "às pessoas afetadas" pelo ataque junto à antiga redação

A equipa do jornal satírico Charlie Hebdo manifestou esta sexta-feira o seu apoio e solidariedade aos "antigos vizinhos e confrades" da produtora Premières Lignes e "às pessoas afetadas" pelo "odioso ataque" junto à sua antiga redação, em Paris.

"Toda a equipa do Charlie manifesta o seu apoio e solidariedade aos seus antigos vizinhos e confrades da @PLTVfilms e às pessoas afetadas por este odioso ataque", lê-se numa mensagem divulgada na conta do jornal no Twitter.

Dois jornalistas da produtora de documentários PLTV, um homem e uma mulher, ficaram feridos com gravidade no ataque, perpetrado na rua Nicolas Appert, junto ao edifício que albergava a redação do Charlie Hebdo quando do ataque de janeiro de 2015, em que dois extremistas islâmicos mataram 12 pessoas.

O Charlie Hebdo mudou depois de instalações para um local não revelado.

Os dois jornalistas feridos não correm perigo de vida, segundo o primeiro-ministro, Jean Castex, que se deslocou ao local.

O suposto autor do ataque, que ocorreu cerca das 11.45 horas locais (10.45 horas em Lisboa), foi detido pouco tempo depois na Praça da Bastilha, a pouca distância, e cerca de uma hora depois, um segundo suspeito foi detido no metro.

O primeiro é "o autor principal" do ataque, disse à imprensa, no local, o procurador antiterrorismo Jean-François Ricard, inicialmente identificado pela imprensa francesa como o procurador da República Rémy Heitz.

Segundo Ricard, a polícia estava a "verificar a sua relação com o autor principal".

A imprensa francesa noticiou que o principal suspeito é de origem paquistanesa e tem 18 anos, sendo conhecido das autoridades por pequenos delitos e posse ilegal de arma, e o segundo suspeito é de origem argelina e tem 33 anos.

A Procuradoria antiterrorismo de França assumiu a investigação ao ataque, abrindo um inquérito por "tentativa de homicídio relacionado com ato terrorista e organização terrorista criminosa".

A decisão, explicou o procurador, baseou-se em três fatores: a localização do ataque, junto à antiga redação do jornal satírico, o momento, visto estar a decorrer em Paris o julgamento de cúmplices do ataque ao Charlie Hebdo, e a "vontade manifesta do autor de atentar contra a vida de duas pessoas".

Em breves declarações à imprensa quando visitou o local, o primeiro-ministro francês, Jean Castex, afirmou a "firme determinação" do Governo de "lutar por todos os meios contra o terrorismo e "o seu compromisso inabalável" com a liberdade de imprensa.

Durante algumas horas após o ataque, a rua esteve bloqueada por dezenas de agentes policiais armados e a população foi instada a "evitar a zona".

As escolas da zona foram encerradas por precaução, e milhares de alunos foram confinados, medida que foi levantada ao princípio da tarde.

O ataque desta sexta-feira ocorre quando decorre em Paris o julgamento dos presumíveis cúmplices do ataque à redação do Charlie Hebdo e depois de novas ameaças ao jornal, que a 2 de setembro republicou as caricaturas de Maomé por ocasião do início do julgamento.

No princípio desta semana, a diretora de recursos humanos do jornal, Marika Bret, foi retirada de casa e levada pelas autoridades para local seguro devido a ameaças consideradas sérias.

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