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China aprova plano económico focado na autonomia e tecnologia

China aprova plano económico focado na autonomia e tecnologia

O órgão máximo legislativo da China aprovou, esta quinta-feira, o novo plano quinquenal, que determina as diretrizes políticas e económicas para os próximos cinco anos, focando-se no desenvolvimento das indústrias de alto valor agregado.

O documento visa a autonomia da tecnologia doméstica, para evitar que mudanças geopolíticas afetem as cadeias de abastecimento, numa altura em que enfrenta uma prolongada guerra comercial e tecnológica contra os Estados Unidos.

O documento determina como áreas chave para o desenvolvimento do país a robótica, veículos elétricos, equipamento médico, máquinas agrícolas, construção naval, o sistema de navegação global por satélite Beidou ou terras raras - matérias-primas essenciais para o fabrico de telemóveis, computadores e baterias elétricas.

Isto surge numa altura em que a China enfrenta tentativas de conter o seu salto tecnológico, à medida os Estados Unidos bloqueiam exportações de alta tecnologia para o país, incluindo chips processadores e outros componentes necessários no fabrico de tecnologia.

As sanções norte-americanas visam importantes grupos tecnológicos chineses, como a gigante global das telecomunicações Huawei Technologies Ltd ou o fabricante de semicondutores Semiconductor Manufacturing International Corp.

O plano preconiza também um modelo económico assente no consumo interno, em detrimento das exportações.

De acordo com a proposta, apresentada durante a sessão plenária anual da Assembleia Nacional Popular (ANP), o investimento em pesquisa e desenvolvimento vai aumentar 7%, em média, todos os anos, até 2025.

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Embora o Governo chinês tenha definido uma meta de crescimento económico "superior a 6%" para este ano, o plano quinquenal não estabelece nenhuma meta específica para o período até 2025, referindo apenas que o crescimento deve manter-se numa "faixa razoável".

Uma das diferenças em relação ao plano quinquenal anterior é o foco no desenvolvimento da economia digital, cujo peso no PIB (Produto Interno Bruto) deve passar de 7,8%, em 2020, para 10%, em 2025. Isto implica o desenvolvimento de políticas sobre gestão e segurança de dados, segundo o documento.

O plano quinquenal enfatiza a necessidade de intensificar as campanhas antimonopólio, que nos últimos meses afetaram gigantes do setor como o Alibaba.

Sobre o investimento no exterior, embora não tenham sido anunciados detalhes, especialistas consideram que Pequim vai voltar a permitir que as empresas chinesas realizem aquisições além-fronteiras, após ter dificultado a saída de capital nos últimos anos.

O plano determina também metas para a redução do consumo de energia por unidade do PIB, em 13,5%, e para as emissões de dióxido de carbono, em 18%, ao longo dos próximos cinco anos. Para 2025, a China quer que 20% do consumo de energia seja oriundo de fontes limpas.

O documento foi aprovado por ampla maioria pelos delegados da ANP.

Com cerca de três mil delegados, a ANP é, constitucionalmente, o "supremo órgão do poder de Estado" na China, mas carece de poder real, limitando-se a aprovar as medidas propostas pelo Partido Comunista Chinês (PCC).

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