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China exibe novos mísseis "destruidores de porta-aviões" em desfile militar

China exibe novos mísseis "destruidores de porta-aviões" em desfile militar

A China exibiu, esta quinta-feira, mais de uma dezena de novos mísseis balísticos "destruidores de porta-aviões", no grande desfile militar realizado em Pequim, que elevou o orgulho nacional chinês. Putin muito aplaudido em Tiannamen.

Os mísseis balísticos de médio alcance DF-21D, que analistas estimam que possam ser eficazes contra os porta-aviões norte-americanos no Pacífico, desfilaram esta manhã na Praça de Tiannamen, em Pequim.

O novo armamento do exército chinês tem, nos últimos anos, suscitado especulação nos circuitos militares sobre a sua capacidade de alterar as relações de força no oceano Pacífico, tradicionalmente vigiado pela sétima frota dos Estados Unidos.

Esta quinta-feira de manhã, 12 mil soldados chineses e estrangeiros marcharam pela principal avenida de Pequim, Chang An, num desfile militar sem precedentes para comemorar a vitória frente ao Japão na II Guerra Mundial.

Chineses orgulhosos

Um desfile que despertou na plateia um sentimento comum: orgulho. "Sinto-me entusiasmado e orgulhoso. A China desempenhou um papel crucial na luta mundial contra o fascismo", disse à agência Lusa Zhensong, funcionário público de 40 anos residente em Pequim.

Zhensong fez parte de uma plateia restrita e constituída na maioria por veteranos de guerra, jornalistas e representantes dos 56 grupos étnicos chineses, visto que os acessos ao "palco" do desfile estavam cortados e sob vigilância apertada.

À medida que dezenas de novos mísseis balísticos rolavam na "Changan", a larga artéria que passa no topo norte da Praça Tiananmen, Zhen explicava: "Ao fim de 70 anos de desenvolvimento, a China poderá contribuir mais ativamente para a paz mundial".

As palavras coincidem com as do Presidente chinês, Xi Jinping, num discurso feito minutos antes: "Nós, os chineses, amamos a paz. Não importa o quão fortes nos tornemos, nunca vamos procurar a hegemonia ou expansão".

Acompanhado da mulher, Peng Liyuan, Xi Jinping recebeu 30 chefes de Estado nos jardins de Zhongnanhai, o Kremlin chinês, situado ao lado do antigo Palácio Imperial.

Putin muito aplaudido em Pequim

O último a saudar o líder chinês foi o Presidente russo Vladimir Putin, arrancando fortes aplausos entre o público.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, assim como o anterior chanceler alemão Gerhard Schroeder também estiveram presentes, numa lista marcada pela ausência de chefes de Estado das principais potências ocidentais.

Em 2014, no contexto de uma renovada tensão nas relações sino-japonesas, o Governo chinês instituiu o 3 de setembro como Dia Nacional da Vitória da China na Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa, mas só este ano foi elevado a feriado nacional.

A data assinala a rendição do Japão, ato realizado a bordo de um navio norte-americano no dia 02 de setembro de 1945.

Segundo estimativas chinesas, a ocupação japonesa, de 1937 a 1945, causou cerca de 35 milhões de mortos entre a população civil e os militares.

"A vitória total sobre o Japão restaurou o "status" da China como uma grande potência global", concluiu Xi Jinping, na tribuna de Tiananmen, onde em 1949 Mao Zedong anunciou a fundação da República Popular da China.