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China gasta em betão a cada dois anos mais que os EUA em cem

China gasta em betão a cada dois anos mais que os EUA em cem

O novo aeroporto internacional de Pequim tem data de conclusão prevista para 15 de julho, cinco anos após o início da construção. O exemplo, quase acabado, da paixão pelo betão, que fez da China o maior produtor e consumidor do Mundo de cimento armado.

Apelidado de "estrela-do-mar", devido à forma de polígono irregular, o Aeroporto Internacional de Pequim-Daxing estende-se pelos subúrbios da capital chinesa, por uma área total de 78 quilómetros quadrados, sensivelmente o dobro da área da cidade Invicta.

Só a estrutura central do aeroporto, as quatro pistas e edifícios de apoio, ocupam 47 quilómetros quadrados, mais seis quilómetros quadrados que a área total da cidade do Porto (41 km2) e sensivelmente metade de Lisboa (100 km2).

A "estrela-do-mar" assenta num esqueleto de aço de 52 mil toneladas, mas é a imensidão de cimento, contabilizada pelo jornal "The Guardian" em 1,6 milhões de metros cúbicos, que mais salta à vista.

Cerca de cinco anos após o início da construção, o Aeroporto Internacional Pequim Daxing avança a bom ritmo, devendo estar pronto dentro do prazo, 15 de julho.

Os chineses apostam nesta imensa infraestrutura para mostrar a capacidade de trabalho e de realização da nova China. Os testes de voo para o novo aeroporto foram dados como concluídos com a aterragem de um avião, às 10.20 horas locais de domingo, 24 de fevereiro, 19 dias antes do previsto.

Isto significa que o aeroporto está pronto para operar, segundo as autoridades locais, citadas pela agência de notícias oficial chinesa, a Xinhua.

A maior obra de betão do Mundo até parece pequena

O novo aeroporto, que terá capacidade para receber 45 milhões de passageiros por ano, em 2021, e 72 milhões em 2025, é o mais recente exemplo da paixão da China pelo betão.

Desde 2003, a China já injetou mais cimento no país, a cada dois anos, do que os EUA em todo o século XXI, conta o jornal "The Guardian", num artigo intitulado "The grey wall of China", numa referência à "Grande Muralha da China", em que o "great" dá lugar ao "grey" (cinzenta).

Os 1,6 milhões de metros cúbicos de cimento injetados já no Pequim-Daxing parecem migalhas quando se olha para a Barragem das Três Gargantas, no rio Yangtzé. Considerado a maior estrutura de betão do Mundo, consumiu 27,2 milhões de metros cúbicos de cimento.

Tão grande, mas pequena se comparada com a mais cara e, talvez, mais ambiciosa obra chinesa: o projeto de transvase de água Sul-Norte. Iniciado em 2013, com o objetivo de levar água do sul, mais verde, para o norte, mais árido, só na primeira fase consumiu 65 metros cúbicos de betão, o dobro do que foi injetado na Barragem das Três Gargantas.

O objetivo é levar água por um percurso de 4300 quilómetros, o equivalente a ir seis vezes de Valença a Olhão, e que já custou mais de 80 mil milhões de euros, cerca de 2/3 da riqueza produzida em Portugal (217 mil milhões de euros), em 2017.

Gastos desta dimensão exigem um grande fornecimento de betão. A China não quis ficar dependente de terceiros e, em 2017, produziu 2,4 mil milhões de toneladas de cimento, mais do que todo o resto do Mundo junto. Segundo o "The Guardian", isto é pouco mais de metade da capacidade instalada da China, que tem infraestruturas para produzir quatro mil milhões de toneladas de betão por ano.