Política

Ciberataque abre "guerra" entre os EUA e a Rússia

Ciberataque abre "guerra" entre os EUA e a Rússia

Washington acusa Moscovo de aceder aos sistemas do Governo norte-americano e fecha consulados. Kremlin nega envolvimento.

Os Estados Unidos vão, segundo a cadeia televisiva norte-americana CNN, fechar os seus dois consulados na Rússia, enquanto o presidente eleito, Joe Biden, se prepara para a transição no meio de tensões com o Governo russo, suspeito de estar na origem de um ciberataque a instituições norte-americanas. O Departamento de Estado vai fechar o consulado em Vladivostok, no extremo oriente da Rússia, e suspenderá as atividades do de Ekaterinburg.

A tese oficial é a de que a decisão foi tomada "em resposta aos problemas contínuos de pessoal na missão dos EUA na Rússia, na sequência da imposição, pelas autoridades russas, de um limite à missão norte-americana, em 2017, e do consequente impasse com o Governo russo em relação aos vistos diplomáticos", disse a CNN. A verdade é que o anúncio surge pouco depois das acusações de Washington sobre o envolvimento do Kremlin no ciberataque a instituições dos Estados Unidos, incluindo o Pentágono e laboratórios nucleares.

Dez diplomatas norte-americanos destacados para os consulados serão transferidos para a Embaixada dos Estados Unidos em Moscovo, que ficará como a única representação diplomática dos EUA na Rússia.

"Em curso e sem precedentes"

Segundo especialistas em segurança, o ciberataque poderia dar aos atacantes acesso a sistemas informáticos e redes elétricas cruciais.

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Quem não tem dúvidas é o secretário de Estado, Mike Pompeo, que declarou que a Rússia estava por trás do vasto ciberataque que atingiu o país. "Foi uma operação muito importante e penso que podemos dizer, com bastante clareza, que foram os russos que a empreenderam. Inclusive, entraram nos sistemas do nosso Governo."

Horas depois das declarações de Pompeo, o presidente cessante, Donald Trump, minimizou o ataque cibernético e apontou a China como possível autora, contradizendo o secretário de Estado.

Trump atacou os meios de Comunicação Social por terem noticiado que o Kremlin poderia estar por trás do ciberataque e garantiu que "está tudo sob controlo".

Já a Microsoft indicou que mais de 40 clientes detetaram o programa usado pelos piratas informáticos e que ele permitia aceder sem quaisquer entraves às redes das vítimas. "Cerca de 80% dos nossos clientes encontram-se nos Estados Unidos", disse o presidente da empresa, Brad Smith, que adverte que o ataque "cria uma vulnerabilidade tecnológica grave para os EUA. Não se trata de espionagem normal, mesmo na era digital."

O presidente da comissão de Informações do Senado, o republicano Marco Rubio, disse que "este é um grande ataque", provavelmente "ainda em curso" e "sem precedentes".

A Rússia negou qualquer envolvimento no ataque cibernético, desmentindo, "firmemente, estar implicada neste caso" e afirmando que o país "não realizou operações ofensivas no ciberespaço", conforme comunicado da embaixada russa em Washington.

Mais 77 empresas e instituições chinesas em "lista negra"

Os Estados Unidos incluíram mais 77 instituições e empresas chinesas, inclusive o fabricante de microchips SMIC e o de drones DJI, na "lista negra" de empresas com as quais está proibida a exportação de tecnologia norte-americana, por "ações contrárias à segurança ou a interesses políticos externos dos EUA". O gabinete de Indústria e Segurança do Departamento do Comércio indicou que incluía a SMIC na chamada "Lista de Entidades" "para proteger a segurança" dos EUA e pelos alegados vínculos com o Exército chinês. "Não permitiremos que tecnologia avançada dos EUA ajude a construir as Forças Armadas de um adversário beligerante."

Oriundo de Estado

A empresa norte-americana FireEye, especializada na caça a piratas informáticos, indicou ter sido alvo de um ataque altamente sofisticado, que considerou oriundo de um Estado. "Fomos recentemente atacados por uma entidade cuja disciplina, segurança operacional e técnicas nos levam a crer tratar-se de um grupo patrocinado por um país", revelou o grupo californiano.

Prevenção na NATO

A NATO está a verificar os seus sistemas informáticos, depois do gigantesco ataque cibernético contra agências governamentais norte-americanas, anunciou um responsável da Aliança Atlântica.

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