Mundo

Cidadãos mobilizam-se para garantir segurança nas ruas inglesas

Cidadãos mobilizam-se para garantir segurança nas ruas inglesas

Dezasseis mil polícias conseguiram travar a violência em Londres. Mas os motins não param em Inglaterra. Os focos dos distúrbios são agora Birmingham, Manchester e Liverpool. Face à passividade da polícia, a população uniu-se em milícias de segurança.

Em apenas 24 horas, as vendas de tacos de basebol aumentaram cerca de 5000% na loja online Amazon. O eventual uso destes objectos nos conflitos vividos em Inglaterra estará na origem da subida na procura. Os tacos custam 30 euros, aproximadamente. Um objecto semelhante a um "bastão da polícia militar", descrito pelo fabricante como útil para "uma autodefesa eficaz", está entre os 100 itens mais vendidos.

Entretanto, grupos de cidadãos ingleses revoltados começaram a organizar-se para fazer frente aos motins, criticando a polícia, pela sua passividade e incapacidade para conter a violência. "Estamos a fazer o que a polícia não faz", dizia um dos elementos das milícias populares à BBC. "Não faz sentido que os meus filhos estejam fechados em casa e a chorar por se sentirem inseguros com o que se passa nas nossas ruas", dizia um outro residente em Birmingham.

Ao contrário de Londres, onde a situação acalmou, Birmingham, Manchester e Liverpool são agora os focos dos distúrbios. A propagação da violência levou a uma mudança de posição por parte do Executivo, que já foi alvo das críticas de vários analistas por ter sido demasiado branda. Assim, David Cameron confirmou, ontem, que "a polícia tem salvaguarda legal para recorrer a todas as medidas que ache necessárias para combater a violência", nomeadamente, os canhões de água e as balas de borracha.

Até hoje, nenhum destes recursos foi usados em Inglaterra, mas uma sondagem publicada pelo jornal "The Sun", indica que 77% dos britânicos consideram benéfico o envolvimento de meios militares nas operações anti-motim.

Doenças sociais

Enquanto anunciava o plano de contra-ataque, David Cameron comentou que os últimos acontecimentos demonstram que há "partes da sociedade que estão doentes". "Ver aqueles jovens correr pelas ruas, a partir janelas e a roubar bens, pilhando e rindo enquanto se iam embora: o problema é uma completa falta de responsabilidade, falta de educação adequada dos pais, falta de ética e de valores morais" - considerou o primeiro-ministro.

Em declarações à BBC, duas jovens que participaram nas pilhagens em Croydon explicaram por que motivo atacam as lojas: "É gente rica que tem lojas. Tudo aconteceu por causa de pessoas ricas".

O sentimento de impunidade que domina as classes socio-económicas mais desfavorecidas do Reino Unido tem sido alvo de análise em todos os média. E sobre isso também falou o presidente da Câmara de Londres, Boris Johnson, que atribui a onda violência a "uma ausência de limites e de respeito". Johnson apelou ainda ao primeiro-ministro para cancelar os cortes previstos no número de polícias em Londres. "Não é o momento para fazer cortes significativos", frisou. Cameron não comentou, mas garantiu que não permitirá que se instale uma "cultura do medo".

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG