Síria

Cidade de Palmira mantém autenticidade apesar dos danos

Cidade de Palmira mantém autenticidade apesar dos danos

A UNESCO disse esta quarta-feira que o grupo Estado Islâmico provocou danos significativos em Palmira, mas a cidade milenar, classificada como Património Mundial, mantém grande parte da sua autenticidade.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) enviou uma missão de peritos para Palmira com o objetivo de avaliar os danos provocados pelos combatentes do grupo extremista, que conquistaram a cidade milenar em maio de 2015.

Após quase um ano de controlo jiadista, as forças do regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, anunciaram, em março passado, a recuperação do controlo total de Palmira.

Acompanhada pelas forças de segurança da ONU, a missão de peritos inspecionou as instalações do museu de Palmira e a zona arqueológica.

"Os peritos registaram um conjunto de danos consideráveis no museu, onde descobriram que a maioria das estátuas e dos sarcófagos que eram demasiados grandes para serem removidos foram desfigurados, partidos, não tinham cabeças e os fragmentos foram deixados no chão", relatou a UNESCO, num comunicado divulgado esta quarta-feira.

Na zona arqueológica, os peritos observaram que partes da grande colunata (série de colunas) e a praça central estão intactos. Mas "registaram a destruição do arco do triunfo e do templo Bal Shamin, que foram destruídos em pedaços", acrescentou a mesma nota informativa.

No Anfiteatro Romano - local que foi usado pelos jiadistas para a realização de execuções públicas - os peritos da UNESCO observaram um minuto de silêncio em memória das vítimas assassinadas pelo EI.

Segundo a agência da ONU, alguns locais foram observados a uma distância de segurança, uma vez que as operações de desminagem ainda não estão concluídas.

"Apesar da destruição de vários edifícios emblemáticos, a missão considerou que a zona arqueológica de Palmira mantém grande parte da sua integridade e autenticidade", concluiu a agência das Nações Unidas.

A UNESCO irá apresentar um relatório mais completo sobre a cidade de Palmira no próximo mês de julho na Turquia, por ocasião da reunião anual do Comité do Património Mundial.

A organização pretende ainda enviar outra missão de peritos para observar outros locais sírios classificados como Património Mundial da Humanidade.

Palmira foi classificada como Património Mundial pela UNESCO em 1980. A "pérola do deserto", como é apelidada esta cidade com mais de 2000 anos, está situada a cerca de 210 quilómetros a nordeste da capital síria, Damasco.

Antes do início do conflito sírio, em março de 2011, as ruínas de Palmira eram um dos principais pontos turísticos da Síria e da região.

A Síria conta com seis locais classificados como Património Mundial da Humanidade.