Saúde

Ninguém sai de Wuhan. Novo vírus fecha cidade da China

Ninguém sai de Wuhan. Novo vírus fecha cidade da China

Foram precisos 17 mortos, a multiplicação às centenas das infeções e a confirmação de diagnósticos positivos de infeção com um coronavírus inédito em vários pontos do mundo para as autoridades sanitárias chinesas determinarem o "fecho" da cidade de Wuhan.

Os comboios ficaram estacionados e os aviões pregados ao chão. Porque, para já, a maioria das infeções parecem ter partido dali, daquela enorme metrópole central da China, capital da província de Hubei e plataforma de distribuição de transportes. A dois dias das celebrações do Novo Ano Lunar, que costumam somar a enormidade de três mil milhões de viagens. E quase um mês depois das primeiras suspeitas de que o mundo teria de preparar-se para uma nova pneumonia atípica, como a que em 2002 (Sars, síndrome respiratória aguda grave) cuja amplitude foi escondida por Pequim e que acabaria por matar 774 pessoas em todo o mundo.

Decisão adiada

Batizado 2019-nCoV, o vírus já localizado em viajantes regressados a Hong Kong, Macau, Taiwan, Japão, Coreia do Sul, Tailândia e EUA, esteve ontem em cima da mesa do Comité de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS), que preferiu, contudo, adiar por mais uma dia a decisão - ou não - de declarar a emergência de saúde pública internacional. Por divisão dos membros ali reunidos (incluindo chineses) e por necessidade de mais informação, segundo o diretor-geral da agência da ONU, Tedros Adhanon Ghebreyesus.

A verdade é que os sinais de preocupação começam a ser indisfarçáveis. Até pelo facto de os números serem atualizados de forma brutal a cada hora, de a própria OMS confirmar a transmissão entre humanos (ainda que sem se saber se por contacto direto ou via aérea) e de cidadãos de Wuhan denunciarem casos de doentes ou falecidos não incluídos nas estatísticas oficiais.

As autoridades sanitárias de vários países - incluindo os europeus onde aterram voos diretos da província de Hubei - implementaram controlos apertados nos aeroportos, o que pode ser pouco num mundo em que as viagens são muitas vezes partidas por etapas para reduzir-lhes os custos. Ou seja, o controlo deveria ser feito à saída de Wuhan.

A origem do surto de 2019-nCoV é colocada, para já, no mercado de Huanan, encerrado a 1 de janeiro, depois de se concluir que todos os doentes com sintomas de pneumonia ter passado por lá. Nele eram vendidos animais vivos, sendo entre estes que os coronavírus normalmente se propagam.

A suspeita aponta para o morcego-da-fruta (como já acontecera com a Sars, em 2002-3), que, segundo cientistas chineses citados pelo jornal de Hong Kong "South China Morning Post", albergam o vírus que dá origem ao coronavírus. O Centro de Controlo de Doença chinês admitiu ontem a ligação do 2019-nCoV com animais selvagens vendidos no mercado e alertou para a grande capacidade de adaptação e mutação do vírus.

O que é a emergência internacional

A declaração de emergência de saúde pública internacional pela OMS supõe a adoção de medidas preventivas a nível mundial. Até hoje, foi declarada para a epidemia da gripe H1N1 (2009) e dos vírus Zika (2016), Ébola (2014 a 2016 e em 2018) e do pólio (2014). Entre as medidas estão restrições ao comércio e às viagens.

Em que é que o facto de não se conhecer com exatidão a origem do vírus pode afetar a luta contra a doença?

A origem da infeção supõe-se associada ao mercado de Wuhan, ao qual estavam ligados os primeiros casos noticiados. Existe também uma forte suspeita de poder existir um animal que seja o veículo de transmissão da infeção ao homem. As investigações estão a ser desenvolvidas no terreno para que rapidamente seja identificada a primeira fonte, o que poderá ser uma vantagem para o controlo da transmissão da doença.

As primeiras vítimas mortais tinham mais de 60 anos. Poderá significar que o vírus precisa de condições prévias para ser mais virulento?

Os indivíduos com mais idade e com comorbilidades são os que apresentam um maior risco para as formas mais graves da doença, não só para este agente, mas para outros agentes virais. Ainda é prematuro fazer esta associação devido a escassez de informação.

As autoridades sanitárias estrangeiras optaram por avaliar a temperatura dos passageiros com proveniência de Wuhan. Com contágios entre pessoas, é suficiente? A Europa avalia o risco como baixo...

Essa avaliação de risco foi disponibilizada o dia 9 de janeiro, mas poderá ser revista a qualquer momento para integrar informação mais recente e detalhada. Apenas existem ligações aéreas diretas de Wuhan com três cidades europeias (Londres, Paris e Roma).

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