CoronaVac

Cientistas chilenos recomendam terceira dose da vacina chinesa

Cientistas chilenos recomendam terceira dose da vacina chinesa

Um ensaio clínico, encomendado pelo Governo chileno, recomenda uma terceira dose de vacina anti-covid-19 ao constatar queda de anticorpos depois de seis meses de aplicação da chinesa CoronaVac, muito usada também no Brasil e no Uruguai.

"Perante a presença de variantes que requerem um maior nível de anticorpos neutralizantes para bloquear a entrada do vírus e, possivelmente, a doença sintomática, é recomendável que doses de reforço sejam aplicadas a partir do sexto mês, a contar da primeira dose, para ampliar a quantidade de anticorpos neutralizantes circulantes", indicou Alexis Kalergis, líder do estudo, académico da Universidade Católica e diretor do Instituto Milenio de Imunologia e Imunoterapia do Chile.

A recomendação de uma terceira dose da vacina do laboratório chinês Sinovac Biotech é a principal conclusão do estudo, realizado pela Universidade Católica do Chile, com 2300 voluntários e apresentado às autoridades do Ministério da Saúde e do Ministério da Ciência na quinta-feira.

Os cientistas comprovaram uma alta eficácia da vacina durante os seis primeiros meses para evitar casos graves e mortes, mas verificaram uma queda de efetividade após esse período.

"Os nossos resultados mostram que, seis meses depois da vacinação, ainda são detetados anticorpos neutralizantes e linfócitos T específicos no sangue dos vacinados, mas os níveis são reduzidos quando comparados com o observado na quarta semana depois da segunda dose", explicou Kalergis.

Durante os seis meses do ensaio clínico, dos 2300 voluntários, apenas 45, o equivalente a 2% dos vacinados com duas doses, foram contagiados, a maioria de forma leve, com o coronavírus Sars-Cov-2. Somente três pessoas, o equivalente a 0,088%, precisaram de assistência hospitalar. Os três hospitalizados eram idosos com comorbilidades. Não houve mortos.

"Em termos de imunidade, observamos que a vacinação induz à produção de anticorpos capazes de neutralizar o vírus, evitando a doença ou diminuindo a sua intensidade. A produção desses anticorpos em alta quantidade foi observada, na maioria dos casos, entre a segunda e a quarta semana depois da segunda dose", descreveu Susan Bueno, diretora científica do estudo.

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Quanto à variante delta, os testes de laboratório 'in vitro' verificaram uma redução de quatro vezes no efeito neutralizante da vacina chinesa, maior do que a redução de três vezes apontada antes por cientistas chineses.

Até agora, o Chile registou 18 casos de contágio com a variante delta, todos provenientes do exterior. Ainda não foi detetada a circulação comunitária do vírus. Com base nesse estudo, o Governo chileno vai decidir se aplica ou não uma terceira dose da vacina cuja efetividade é a menor entre os demais imunizantes.

Esta semana, a Agência Europeia do Medicamento e o Centro Europeu para o Controlo de Doenças consideraram ser "demasiado cedo" para avançar com uma decisão sobre a necessidade de uma hipotética terceira dose das vacinas contra a covid-19, enquanto a Organização Mundial de Saúde a considerou desnecessária e criticou também a "ganância" em relação ao processo de vacinação.

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