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Cientistas condenados a prisão por subestimarem riscos de sismo

Cientistas condenados a prisão por subestimarem riscos de sismo

Sete cientistas italianos, acusados de terem subestimado os riscos do forte sismo que abalou em 2009 a cidade de L'Aquila, foram condenados a seis anos de prisão por "homicídio por imprudência".

O veredicto foi proferido pelo tribunal de L'Aquila, cidade localizada na região dos Abruzos (centro de Itália), segunda-feira, de acordo com a agência francesa AFP.

A 6 de abril de 2009, um sismo de magnitude 6,3 atingiu L'Aquila e as cidades mais próximas, fazendo mais de 300 mortos. O terramoto, que destruiu vários edifícios, fez igualmente vários milhares de desalojados.

Em finais de setembro último, o Ministério Público de L'Aquila pediu uma pena de quatro anos de prisão para os sete membros que compõem a Comissão para situações de emergência italiana: seis peritos em sismos e o vice-diretor da Proteção Civil, Bernardo De Bernardinis.

Entre os acusados figuram grandes nomes da ciência em Itália, como o professor Enzo Boschi, até recentemente presidente do Instituto de Geofísica e Vulcanologia, ou um professor de Física da Universidade de Génova, Claudio Eva.

Um dos argumentos apresentados pelo Ministério Público foi que a comissão de cientistas esteve reunida a 31 de março de 2009 em L'Aquila, seis dias antes do sismo, e que após o encontro não tomou qualquer medida de precaução.

Em declarações divulgadas em finais de setembro, o procurador Fabio Picuti denunciou que a comissão apenas transmitiu "informações banais, inúteis, autocontraditórias e falaciosas".

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A defesa pediu a absolvição dos peritos, argumentando que nenhum cientista pode prever um sismo.

"Não podemos considerar esta decisão como uma vitória. É uma tragédia, não vai trazer de volta os nossos familiares", reagiu Aldo Scimia, cuja mãe morreu no sismo.

"Continuo a considerar que foi um massacre cometido pelo Estado, (...) esperamos agora que os nossos filhos tenham vidas mais seguras", acrescentou Aldo Scimia.

Antes da divulgação do veredicto, o procurador Fabio Picuti não hesitou em estabelecer uma comparação entre a situação de L'Aquila e a avaliação dos riscos terroristas nos Estados Unidos, na altura dos atentados de 11 de setembro de 2001.

"Após 11 de setembro (de 2001), um relatório identificou uma análise insuficiente dos riscos", indicou Picuti, recordando que os acontecimentos acabaram por desencadear a demissão do diretor da CIA (serviços secretos norte-americanos) e do adjunto.

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